Uma aldeia inteira soterrada: o supertufão que matou mais de 200 pessoas no Vietnã
Foto: Nhac Nguyen/AFP/Getty — da matéria da CBS News O supertufão Yagi, um dos mais fortes já registrados na Ásia, atingiu o norte do Vietnã por volta de 7 a 9 de setembro de 2024, desencadeando enchentes e deslizamentos que devastaram 26 províncias vietnamitas. O episódio mais brutal ocorreu na província montanhosa de Lao Cai, […]
09 SET 2024

Foto: Nhac Nguyen/AFP/Getty — da matéria da CBS News
O supertufão Yagi, um dos mais fortes já registrados na Ásia, atingiu o norte do Vietnã por volta de 7 a 9 de setembro de 2024, desencadeando enchentes e deslizamentos que devastaram 26 províncias vietnamitas. O episódio mais brutal ocorreu na província montanhosa de Lao Cai, onde um deslizamento soterrou uma aldeia inteira de 37 casas, matando ao menos 42 pessoas e deixando 53 desaparecidas — uma comunidade praticamente apagada do mapa em questão de minutos. No país como um todo, o tufão e seus desdobramentos mataram 197 pessoas, danificaram mais de 140.000 casas e devastaram mais de 618.000 acres (cerca de 250.000 hectares) de plantações, segundo dados da UNICEF. Em Hanói, o rio que cruza a capital atingiu o nível mais alto em 20 anos, inundando bairros inteiros.
O impacto regional foi ainda maior: a Tailândia registrou 9 mortos, com o distrito de Mae Sai vivendo as piores enchentes em 80 anos; Mianmar contabilizou ao menos 17 corpos recuperados na região de Mandalay e mais de 50.000 pessoas deslocadas; somando todos os países atingidos — Vietnã, Filipinas, sul da China, Tailândia e Mianmar —, o total regional passou de 200 mortos. Entre os relatos mais duros do desastre está o de Tu, uma agricultora que cultivava flores de pêssego nos arredores de Hanói e viu sua plantação inteira arrasada: “It will be so hard for me to recover from this loss — I think I will lose up to $40,000.” A frase resume o que aconteceu com milhares de pequenos produtores rurais na rota do tufão: perdas que, em termos absolutos, podem parecer modestas na escala de um desastre nacional, mas que representam a ruína completa de uma vida inteira de trabalho.
O caso de Lao Cai — uma aldeia inteira de 37 casas soterrada em um único deslizamento pós-tufão — é um paralelo direto a dois outros episódios já registrados pelo Radar Heimdall: os deslizamentos de Wayanad, na Índia (também em 2024), e o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná (2025). Em todos os três, o fator comum é a vulnerabilidade extrema de pequenas comunidades rurais isoladas a eventos climáticos de curta duração e altíssima intensidade — situações em que o tempo entre o alerta e o impacto se mede em minutos, não em horas, e em que a decisão de evacuar precisa ser tomada antes que o dado de precipitação ou vento esteja “confirmado”. Para municípios brasileiros com povoados rurais em áreas de encosta ou fundo de vale, a lição é a mesma: mapeamento de risco atualizado e planos de evacuação pré-definidos para comunidades pequenas, muitas vezes fora do radar das rotinas de monitoramento concentradas nas sedes municipais.
“It will be so hard for me to recover from this loss — I think I will lose up to $40,000″ — Tu, agricultora de flores de pêssego nos arredores de Hanói, Vietnã, sobre a perda total de sua plantação após o tufão Yagi.”
Fontes
- CBS News — “Typhoon Yagi death toll over 200 as Vietnam searches for survivors, flooding hits Thailand and Myanmar” — 12/09/2024 — https://www.cbsnews.com/news/yagi-typhoon-2024-vietnam-death-toll-thailand-myanmar-floods-landslides/
- NPR — “Dozens dead in Vietnam from Typhoon Yagi flooding, state media report” — 09/09/2024 — https://www.npr.org/2024/09/09/g-s1-21494/dozens-dead-vietnam-typhoon-yagi
- CBS News — “Typhoon Yagi hits Vietnam with torrential rains, killing almost 60 as vehicles and a bridge are swept away” — 09/09/2024 — https://www.cbsnews.com/news/typhoon-yagi-2024-vietnam-deaths-bus-bridge-swept-away-business-impact/