Taquari chega a 24,77 metros: Lajeado retira 155 famílias antes do pico e abrigos acolhem mais de 550 pessoas
Foto: Independente/Tiago Silva — da matéria do Portal Adesso O rio que virou símbolo das tragédias gaúchas de 2023 e 2024 voltou a testar o Vale do Taquari — e desta vez encontrou outra cidade. Na madrugada de 23 de julho, o Taquari atingiu o pico de 24,77 metros entre Lajeado e Estrela, quase seis […]
23 JUL 2026

Foto: Independente/Tiago Silva — da matéria do Portal Adesso
O rio que virou símbolo das tragédias gaúchas de 2023 e 2024 voltou a testar o Vale do Taquari — e desta vez encontrou outra cidade. Na madrugada de 23 de julho, o Taquari atingiu o pico de 24,77 metros entre Lajeado e Estrela, quase seis metros acima da cota de inundação (cerca de 19 m), após acumulados que chegaram a 247 mm em cinco dias na região, segundo o Portal Adesso. Foi a primeira grande enchente do Vale em 2026.
A diferença esteve na antecipação. Em Lajeado, 155 famílias foram retiradas preventivamente das áreas baixas antes do pico, e cerca de 484 pessoas foram acolhidas no Parque do Imigrante, estrutura que a cidade consolidou como abrigo de grande porte desde as enchentes anteriores. Na sexta-feira 24, os abrigos de Lajeado e Estrela ainda acolhiam mais de 550 pessoas, conforme o Agora no Vale. No conjunto do estado, o Vale do Taquari concentrava 76,5% de todos os acolhidos — Lajeado com 540 desabrigados, Porto Xavier com 200, Encantado com 152, no compilado do ClimaInfo a partir de g1, GZH, Correio do Povo e CNN Brasil.
O que Lajeado mostrou é o dividendo da memória institucionalizada: as enchentes de 2023-2024 deixaram ali não apenas cicatrizes, mas rotinas — réguas acompanhadas de hora em hora, alertas hidrológicos levados a sério, mapa das famílias em cota baixa, abrigo de grande porte pré-organizado com logística conhecida. Quando o rio subiu, a cidade não decidiu o que fazer; executou o que já estava decidido.
A pergunta incômoda é para as cidades que ainda não passaram pela sua grande enchente: a experiência é uma professora cara demais. O que o Vale do Taquari aprendeu pagando com vidas está disponível de graça — em seus protocolos, seus abrigos e sua régua vigiada — para qualquer município ribeirinho que queira copiar antes, e não depois.
“A enchente ensinou o Vale do Taquari a preço de tragédia; copiar a lição é de graça.”
Fontes
- Portal Adesso — “Rio Taquari estabiliza em 24,77 metros após madrugada de tensão em Lajeado e Estrela” — 23/07/2026 — https://www.portaladesso.com.br/noticias/19888/rio-taquari-estabiliza-em-24-77-metros-apos-madrugada-de-tensao-em-lajeado-e-estrela.html
- Agora no Vale — “Abrigos em Lajeado e Estrela seguem acolhendo mais de 550 pessoas ao fim da tarde desta sexta (24)” — 24/07/2026 — https://agoranovale.com.br/noticias/valedotaquari/abrigos-em-lajeado-e-estrela-seguem-acolhendo-mais-de-550-pessoas-ao-fim-da-tarde-desta-sexta-24/
- ClimaInfo (compilando g1, GZH, Correio do Povo e CNN Brasil) — “Chuvas no RS deixam mais de 1,6 mil desabrigados e desalojados” — 23/07/2026 — https://climainfo.org.br/2026/07/23/chuvas-no-rs-deixam-mais-de-16-mil-desabrigados-e-desalojados/