Reino Unido bate 40°C pela primeira vez na história e Espanha soma 2.124 mortes por calor em um mês
Foto: Reuters/Toby Melville — da matéria da Agência Brasil Em 19 de julho de 2022, o Reino Unido registrou pela primeira vez na história temperaturas acima de 40°C, com um recorde nacional de 40,3°C, segundo o Público. O calor extremo, que teve seu pico entre 11 e 19 de julho em boa parte da Europa […]
19 JUL 2022

Foto: Reuters/Toby Melville — da matéria da Agência Brasil
Em 19 de julho de 2022, o Reino Unido registrou pela primeira vez na história temperaturas acima de 40°C, com um recorde nacional de 40,3°C, segundo o Público. O calor extremo, que teve seu pico entre 11 e 19 de julho em boa parte da Europa Ocidental, provocou pelo menos cinco mortes por afogamento em rios, lagos e reservatórios britânicos, forçou trens a operar em velocidade reduzida por risco de deformação dos trilhos e levou o aeroporto de Luton a fechar temporariamente a pista por danos no asfalto. Os números mais duros, porém, vieram da Península Ibérica: a Espanha atribuiu ao calor extremo 2.124 mortes só em julho de 2022 — o maior número em sete anos, superando o recorde anterior de 1.797 mortes de julho de 2015, segundo monitoramento do Instituto de Saúde Carlos III. Em Portugal, um balanço parcial da Direção-Geral da Saúde, divulgado em 14 de julho, já contabilizava excesso de mortalidade de 238 óbitos associado à onda de calor — total que, segundo levantamentos posteriores, ultrapassaria 2.400 mortes no verão inteiro do país. Na França, incêndios florestais na região de Gironde forçaram a evacuação de milhares de pessoas ao longo de julho e agosto, consumindo dezenas de milhares de hectares de floresta.
A meteorologista Rachel Ayers, do serviço meteorológico britânico Met Office, havia antecipado a gravidade do episódio ainda antes do pico: “A temperatura será muito alta ao longo do dia e deve alcançar 40°C ou 41°C em pontos isolados da Inglaterra durante esta tarde.” Quando o recorde se confirmou, o problema deixou de ser apenas meteorológico e passou a ser de infraestrutura: o secretário de Transportes do Reino Unido, Grant Shapps, reconheceu publicamente que o país “simplesmente não foi construído para suportar esse tipo de temperatura” e que adaptar ferrovias, aeroportos e edificações levaria “muitos anos”. Na Espanha, o porta-voz da agência de meteorologia Aemet, Rubén del Campo, já alertava para o risco de o verão de 2022 trazer ainda uma terceira onda de calor depois daquela — um sinal de que o episódio não seria isolado, mas parte de um padrão que se repetiria nos verões seguintes.
O episódio europeu de 2022 é hoje referência para gestores municipais brasileiros justamente porque mostrou o custo de tratar o calor extremo como clima ameno demais para merecer plano de contingência. Ferrovias, aeroportos e rede elétrica projetados para um clima mais frio simplesmente pararam de funcionar sob 40°C — e cidades europeias, a partir daquele verão, passaram a criar estruturas dedicadas de resposta ao calor, como as “diretorias de calor” adotadas por Atenas e Sevilha nos anos seguintes. Para o Brasil, onde ondas de calor já batem recordes de temperatura mas raramente contam com um plano formal de contingência municipal, a lição concreta é replicável: mapear população vulnerável (idosos, moradores em situação de rua, trabalhadores ao ar livre), abrir abrigos climatizados e emitir alertas de calor com a mesma prioridade institucional hoje dada a alertas de chuva forte.
“O Reino Unido simplesmente não foi construído para suportar esse tipo de temperatura — Grant Shapps, secretário de Transportes do Reino Unido”
Fontes
- Público (PT) — “Temperatura no Reino Unido passou pela primeira vez dos 40 graus” — 19/07/2022 — https://www.publico.pt/2022/07/19/azul/noticia/temperatura-reino-unido-passou-primeira-40-graus-2014206
- Agência Brasil — “Milhões de britânicos enfrentam calor sem precedentes no país” — julho de 2022 — https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2022-07/milhoes-de-britanicos-enfrentam-calor-sem-precedentes-no-pais
- ECO/Sapo.pt — “Espanha atribui 2.124 mortes ao calor em julho, número mais alto em sete anos” — 01/08/2022 — https://eco.sapo.pt/2022/08/01/espanha-atribui-2-124-mortes-ao-calor-em-julho-numero-mais-alto-em-sete-anos/
- Observador (PT) — “Onda de calor provocou excesso de mortalidade de 238 óbitos, diz DGS” — 14/07/2022 — https://observador.pt/2022/07/14/onda-de-calor-provocou-excesso-de-mortalidade-de-238-obitos-diz-dgs/