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Internacional

O maio mais quente já registrado no Reino Unido deixou 19 mortes por afogamento — 13 delas crianças

Foto: PA — da matéria da ITV News Uma onda de calor entre 22 e 28 de maio de 2026 fez de 26 de maio o dia mais quente de maio já registrado na Inglaterra e no País de Gales, com 35°C medidos em Kew Gardens e no Aeroporto de Heathrow, segundo a ITV News. […]

27 MAI 2026
O maio mais quente já registrado no Reino Unido deixou 19 mortes por afogamento — 13 delas crianças
Pessoas aproveitam o calor na praia de Brighton, Reino Unido

Foto: PA — da matéria da ITV News

Uma onda de calor entre 22 e 28 de maio de 2026 fez de 26 de maio o dia mais quente de maio já registrado na Inglaterra e no País de Gales, com 35°C medidos em Kew Gardens e no Aeroporto de Heathrow, segundo a ITV News. O recorde de “noite mais quente de maio” também caiu na mesma semana. O Met Office (serviço meteorológico britânico) confirmou a quebra sucessiva de recordes: Andy Page, chefe de previsão do órgão, declarou que “a noite passada registrou provisoriamente a noite de maio mais quente já registrada, e é provável que vejamos mais noites muito quentes”. Peter Thorne, diretor do ICARUS Climate Research Centre, dimensionou a anomalia: “quebrar o recorde histórico de maio em mais de 2 graus… é difícil de compreender”. O lado trágico do calor recorde: pelo menos 19 mortes relacionadas à água foram registradas no mesmo período, incluindo 13 crianças, atribuídas ao aumento súbito de banhistas em rios, lagos e no mar durante o pico de calor.

A concentração de mortes por afogamento infantil no mesmo período do recorde de temperatura não é coincidência estatística: ondas de calor súbitas, especialmente as que ocorrem fora da temporada tradicionalmente associada a banho recreativo (maio, no hemisfério norte, ainda não é considerado “temporada de praia” pela população em geral, ao contrário de julho ou agosto), tendem a produzir um salto abrupto na procura por corpos d’água por pessoas — muitas delas crianças — sem a supervisão, a sinalização de segurança ou a preparação que caracterizam períodos de calor já esperados e planejados. O calor “fora de época” pega tanto a população quanto os serviços de segurança em corpos d’água de surpresa.

Para municípios brasileiros com rios, lagos, cachoeiras ou orla marítima — praticamente todos —, o caso britânico reforça uma lição de comunicação de risco frequentemente negligenciada: alertas de onda de calor emitidos pela Defesa Civil ou pelo serviço meteorológico deveriam ser sistematicamente acompanhados de reforço de segurança em corpos d’água (fiscalização de balneários, alerta sobre riscos de afogamento, presença de salva-vidas ou guarda-vidas em pontos de maior fluxo), especialmente quando o calor extremo ocorre fora da temporada em que essa infraestrutura de segurança já estaria normalmente mobilizada — porque é justamente nesses picos “fora de época” que a lacuna entre demanda súbita por lazer aquático e capacidade de supervisão se torna mais perigosa.

“Recorde de calor de maio quebrado por mais de 2 graus. E, junto dele, 19 mortes por afogamento, 13 delas crianças — o preço de um calor que pegou os corpos d’água de surpresa, sem a vigilância que a alta temporada normalmente teria.”

Fontes

  • ITV News — “UK sees hottest May day on record as temperatures soar” — 27/05/2026 — https://www.itv.com/news/2026-05-26/uk-may-record-breaking-heat-weather
  • Met Office — “UK May and spring temperature record provisionally broken for second day in a row” — 27/05/2026 — https://www.metoffice.gov.uk/about-us/news-and-media/media-centre/weather-and-climate-news/2026/uk-may-and-spring-temperature-record-provisionally-broken-for-second-day-in-a-row