O 4 de Julho que os EUA não celebraram: 25 mortes por calor em NJ, meio milhão sem luz e 171 mm em duas horas em Chicago
Foto: Sydney Schaefer/AP — da matéria da CBS News A semana do feriado mais celebrado dos Estados Unidos virou um teste de estresse climático em três atos. O calor: ao menos 25 mortes suspeitas relacionadas ao calor em Nova Jersey — vítimas de meia-idade a mais de 80 anos —, com Atlantic City batendo sua […]
05 JUL 2026

Foto: Sydney Schaefer/AP — da matéria da CBS News
A semana do feriado mais celebrado dos Estados Unidos virou um teste de estresse climático em três atos. O calor: ao menos 25 mortes suspeitas relacionadas ao calor em Nova Jersey — vítimas de meia-idade a mais de 80 anos —, com Atlantic City batendo sua maior temperatura de julho da história (40,6°C), o Central Park a 36,7°C e Washington D.C. registrando a mínima mais alta de sua série, conforme a CBS News. “Cada uma dessas mortes trágicas é uma a mais do que deveria haver”, disse Dalya Ewais, porta-voz da Saúde de Nova Jersey. As tempestades: mais de 501 mil clientes sem energia entre Pensilvânia e Michigan, três crianças mortas no naufrágio de um barco sob tempestade no lago Geneva (Wisconsin), e 34 milhões de pessoas sob aviso de enchente no Nordeste. E a água: no dia 4, a região de Chicago viveu o que o serviço meteorológico chamou de evento significativo e generalizado de enchente-relâmpago — 171 mm em menos de duas horas em Carol Stream, 148 mm em 45 minutos perto de Naperville, uma morte por queda de árvore e uma ponte colapsada, fechando uma semana que já somava índices de calor de 43°C, rajadas de 116 km/h e um trem descarrilado, segundo o relatório do NWS Chicago.
A resposta pública passou pela decisão que nenhum prefeito quer tomar: cancelar a festa. Shows de fogos foram suspensos em Hartford, Harrisburg e Wilkes-Barre; o National Mall, em Washington, chegou a ser evacuado temporariamente.
Duas lições atravessam o feriado. A primeira: a contagem transparente de mortes por calor — a Saúde de NJ divulgando o número, com a porta-voz nomeando cada morte como evitável — é o que transforma o desastre invisível em prioridade política; a maioria das cidades brasileiras não saberia dizer quantos morreram de calor na última onda. A segunda: o binômio festa + tempo severo. Réveillon, carnaval, festa junina, show na praia — todo calendário municipal tem seu 4 de Julho, e a decisão de cancelar precisa de critério meteorológico objetivo pactuado antes, porque tomada na hora ela chega tarde, e não tomada ela vira o naufrágio das três crianças no lago Geneva.
“Cancelar a festa é decisão de véspera com critério — na hora, só sobra a evacuação; depois, o luto.”
Fontes
- CBS News — “Millions brace for flooding after deadly heat and severe storms damper July 4th celebrations” — 05/07/2026 — https://www.cbsnews.com/news/heat-storms-july-fourth-celebrations-power-outage/
- NWS Chicago (NOAA) — “June 30–July 4: First heat wave of the summer ends with multiple rounds of severe storms and a significant flash flood event on July 4th” — 07/2026 — https://www.weather.gov/lot/2026_07_02-2026_07_04_ActiveWeather