Nigéria registra pior enchente em uma década, com mais de 600 mortos após meses de alertas não respondidos
Foto: George Esiri/Reuters — da matéria da Al Jazeera Mais de 603 pessoas morreram e 1,3 milhão foram desalojadas nas piores enchentes que a Nigéria enfrenta desde 2012, segundo balanço anunciado em 16 de outubro de 2022 pelo governo federal (Al Jazeera). A estação chuvosa, que já castigava o país desde junho, atingiu seu pico […]
16 OUT 2022

Foto: George Esiri/Reuters — da matéria da Al Jazeera
Mais de 603 pessoas morreram e 1,3 milhão foram desalojadas nas piores enchentes que a Nigéria enfrenta desde 2012, segundo balanço anunciado em 16 de outubro de 2022 pelo governo federal (Al Jazeera). A estação chuvosa, que já castigava o país desde junho, atingiu seu pico de gravidade em outubro, quando estados como Yobe, Adamawa, Jigawa, Anambra, Níger e Bayelsa registraram destruição em massa: mais de 200 mil casas foram destruídas ou danificadas, 450 mil hectares de plantações ficaram debaixo d’água e um surto de cólera associado às cheias já somava 64 mortes adicionais (Climatempo). O total supera com folga o recorde anterior, de 363 mortos nas enchentes de 2012, tornando 2022 o ano mais mortal da história recente do país em desastres relacionados à água.
Em coletiva no dia 16 de outubro, a ministra de Assuntos Humanitários e Redução da Pobreza da Nigéria, Sadiya Umar Farouq, confirmou o balanço e alertou que a crise ainda não havia terminado: “Infelizmente, mais de 603 vidas foram perdidas até hoje, 16 de outubro”, disse, acrescentando que “o risco de inundação nas regiões afetadas não diminuirá até o fim de novembro”. Farouq pediu que governos estaduais, conselhos municipais e comunidades “se preparem para mais enchentes, evacuando pessoas que vivem em planícies de inundação para terrenos mais altos” (Al Jazeera). O presidente Muhammadu Buhari reagiu por nota oficial, determinando que “todas as agências federais que lidam com resgate e gestão de desastres foram instruídas a intensificar os esforços de resposta e intervenção” — uma mobilização federal que, no entanto, só veio a público no auge da crise, meses depois dos primeiros alertas sazonais sobre o agravamento das chuvas (FloodList).
Para gestores de defesa civil municipal, o caso nigeriano é aula sobre o custo de esperar o pico da crise para agir. O governo do país já vinha sendo informado desde julho e agosto sobre a tendência de agravamento da estação chuvosa, mas a declaração formal de emergência e a mobilização federal em grande escala só se materializaram quando o número de mortos já ultrapassava 600 e comunidades inteiras estavam submersas. A lição prática para municípios brasileiros é direta: planos de contingência sazonais — para chuvas de verão, secas ou ressacas — precisam ser acionados no início do período de risco, com pré-posicionamento de equipes, insumos e rotas de evacuação definidas, e não apenas quando os indicadores de gravidade já romperam limiares críticos. Esperar a “confirmação” do desastre para agir é, quase sempre, esperar demais.
“Infelizmente, mais de 603 vidas foram perdidas até hoje, 16 de outubro — Sadiya Umar Farouq, ministra de Assuntos Humanitários e Redução da Pobreza da Nigéria”
Fontes
- Al Jazeera — “Nigeria flood death toll rises as thousands evacuated” — 17/10/2022 — https://www.aljazeera.com/amp/news/2022/10/17/nigeria-flood-death-toll-rises-as-thousands-evacuated
- Climatempo — “Enchentes na Nigéria deixam mais de 600 mortos” — 20/10/2022 — https://www.climatempo.com.br/noticia/2022/10/20/enchentes-na-nigeria-deixam-mais-de-600-mortos-7868
- FloodList — “Nigeria – Almost 800,000 Displaced, 500 Dead as Floods Worsen” — outubro/2022 — https://floodlist.com/africa/nigeria-floods-update-october-2022
- Wikipedia — “2022 Nigeria floods” — https://en.wikipedia.org/wiki/2022_Nigeria_floods