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Internacional

“Meu pai me chamava e eu gritava: estou aqui”: a sobrevivente de 9 anos que resume o terremoto mais mortal do Marrocos desde 1960

Foto: Fadel Senna/AFP — da matéria d[o] ND+ Às 23h11 do dia 8 de setembro de 2023, um terremoto de magnitude 6,8 atingiu a província de Al Haouz, nas montanhas do Alto Atlas, a cerca de 72 km a sudoeste de Marraquexe. Foi o terremoto mais mortal em Marrocos desde 1960: pelo menos 2.012 pessoas […]

08 SET 2023
“Meu pai me chamava e eu gritava: estou aqui”: a sobrevivente de 9 anos que resume o terremoto mais mortal do Marrocos desde 1960
Área afetada pelo terremoto na região do Atlas, Marrocos

Foto: Fadel Senna/AFP — da matéria d[o] ND+

Às 23h11 do dia 8 de setembro de 2023, um terremoto de magnitude 6,8 atingiu a província de Al Haouz, nas montanhas do Alto Atlas, a cerca de 72 km a sudoeste de Marraquexe. Foi o terremoto mais mortal em Marrocos desde 1960: pelo menos 2.012 pessoas morreram e 2.059 ficaram feridas. O epicentro rural, longe das grandes cidades, concentrou a destruição em milhares de casas de taipa e adobe em aldeias remotas do Alto Atlas — construções tradicionais sem qualquer reforço sismo-resistente, que foram as primeiras a desabar. Várias dessas vilas ficaram isoladas por deslizamentos de terra provocados pelo próprio tremor, o que atrasou em dias a chegada de qualquer socorro.

Uma das aldeias mais atingidas foi Imi N’Tala, a mais de 1.400 metros de altitude, 75 km ao sul de Marraquexe. Ali, Ibtisam Ait Idar, então com 9 anos, ficou presa sob os escombros de sua casa enquanto o pai e o tio cavavam para resgatá-la. “Meu pai me chamava e eu gritava ‘estou aqui, estou aqui'”, relembrou a menina depois, em um relato que correu o mundo como símbolo do terremoto. Ibtisam sobreviveu, mas perdeu dois amigos da escola e a irmã mais nova no desastre — uma história que ilustra, em escala individual, o que autoridades e organizações internacionais mediram em números: uma catástrofe concentrada em comunidades rurais pobres, de difícil acesso, onde cada resgate dependia de vizinhos e familiares armados com as próprias mãos, muito antes de qualquer equipe oficial chegar.

O caso marroquino expõe um gargalo estrutural para qualquer sistema de defesa civil que atenda zonas rurais remotas: quando a única via de acesso a uma aldeia é destruída por deslizamento, a resposta emergencial simplesmente não chega em tempo útil, não importa quão bem equipada seja a capital. Marrocos, além disso, gerou controvérsia ao restringir inicialmente a entrada de equipes internacionais de resgate, aceitando ajuda de apenas quatro países nos primeiros dias — uma decisão que reacendeu o debate sobre coordenação de ajuda humanitária internacional em desastres de grande escala. Para municípios brasileiros com distritos rurais isolados ou comunidades de difícil acesso em serras e vales, a lição é dupla: mapear previamente rotas alternativas de acesso a essas comunidades para cenários de bloqueio de estrada, e investir em construção sismo-resistente ou, no caso brasileiro, resistente a deslizamento e enchente, especialmente em habitações de baixa renda — o tipo de reforço estrutural que, em Al Haouz, poderia ter significado a diferença entre uma casa em pé e uma tragédia.

“‘Meu pai me chamava e eu gritava: estou aqui, estou aqui’ — Ibtisam Ait Idar, 9 anos, sobrevivente da aldeia de Imi N’Tala”

Fontes

  • ND+ (ndmais.com.br) — “Terremoto no Marrocos: ‘Meu pai me chamava e eu gritava ‘estou aqui”, lembra sobrevivente” — 17/09/2023 — https://ndmais.com.br/meio-ambiente/terremoto-no-marrocos-meu-pai-me-chamava-e-eu-gritava-estou-aqui-lembra-sobrevivente/
  • National Geographic Brasil — “O que tornou o terremoto no Marrocos tão devastador” — 11/09/2023 — https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/09/o-que-tornou-o-terremoto-no-marrocos-tao-devastador
  • Wikipedia (PT) — “Sismo de Marraquexe-Safim em 2023” — https://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo_de_Marraquexe-Safim_em_2023