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Internacional

Maysak mata 39 no sul da China — 26 no colapso de uma barragem que virou aviso ao mundo

Foto: Huang Yun/VCG via Getty Images — da matéria da Al Jazeera O balanço anunciado na quinta-feira, 9 de julho, fechou a conta da tempestade tropical Maysak no sul da China: 39 mortos na região de Guangxi — e o detalhe que transforma a tragédia em lição global: 26 dessas mortes vieram de um único […]

09 JUL 2026
Maysak mata 39 no sul da China — 26 no colapso de uma barragem que virou aviso ao mundo
Equipes de resgate evacuam moradores após rompimento de barragem em Hengzhou

Foto: Huang Yun/VCG via Getty Images — da matéria da Al Jazeera

O balanço anunciado na quinta-feira, 9 de julho, fechou a conta da tempestade tropical Maysak no sul da China: 39 mortos na região de Guangxi — e o detalhe que transforma a tragédia em lição global: 26 dessas mortes vieram de um único ponto, o rompimento da barragem do reservatório de Liulan, em Hengzhou, perto de Nanning, no dia 6, sob chuvas que passaram de 90 centímetros nas áreas mais atingidas, conforme a Al Jazeera e o SCMP. A resposta mobilizou mais de 8 mil agentes e cerca de 5.700 barcos, com 130 mil evacuados em Guangxi; no Vietnã, por onde o sistema entrou no dia 4, mais de 56 mil embarcações com 250 mil pessoas haviam sido guiadas a abrigo antes do landfall. Até o inusitado virou comunicação de risco: com cobras e outros animais deslocados pelas enchentes, o vice-prefeito de Nanning, Ding Wei, foi à coletiva pedir que ninguém tentasse “capturar, se aproximar ou provocar” os bichos.

A morte concentrada na barragem é o dado que nenhum gestor pode ler distraído. A chuva de Maysak foi extrema em toda Guangxi, mas dois terços das vítimas estavam sob uma única estrutura que falhou — o padrão que se repete de Brumadinho a Derna: em desastre hidrológico, a infraestrutura que deveria proteger é, com frequência, o maior multiplicador de letalidade. Reservatórios pequenos e médios, rurais, envelhecidos e sem plano de emergência são o ponto cego clássico dos sistemas de proteção.

O Brasil tem dezenas de milhares dessas estruturas — açudes, barragens de irrigação e represas de fazenda — e uma lei (12.334/2010) que exige cadastro, classificação e Plano de Ação de Emergência das mais perigosas. A tradução municipal do desastre de Hengzhou cabe em três perguntas: quais barragens existem rio acima da minha cidade? Qual o estado delas e quem fiscaliza? E se uma romper de madrugada, quem avisa quem — em quantos minutos? No mesmo domingo em que a China contava seus mortos, três cidades do Recôncavo Baiano ensaiavam exatamente essas respostas com 37 mil pessoas. Os dois lados do mesmo risco, na mesma semana.

“A chuva castigou a província inteira; a barragem matou dois terços — o multiplicador da tragédia é sempre a estrutura sem plano.”

Fontes

  • Al Jazeera — “Flooding from Tropical Storm Maysak kills 39 in southern China” — 09/07/2026 — https://www.aljazeera.com/news/2026/7/9/flooding-from-tropical-storm-maysak-kills-39-in-southern-china
  • SCMP — “China dam collapses, cross-border railway halted as Typhoon Maysak slams Guangxi” — 07/2026 — https://www.scmp.com/news/china/politics/article/3359586/china-dam-collapse-hundreds-evacuated-after-typhoon-rains-breach-guangxi-reservoir
  • AHA Centre/ReliefWeb — “Flash Update No. 1 – Tropical Cyclone MAYSAK” — 05/07/2026 — https://ahacentre.org/flash-update/flash-update-no-1-tropical-cyclone-maysak-5-july-2026/