Incêndios quadruplicam de tamanho na Sibéria em poucos dias — e uma mariposa é parte da explicação
Foto: Ministério de Situações de Emergência da Rússia — da matéria do The Moscow Times A área queimada por incêndios florestais na região de Krasnoyarsk, na Sibéria russa, saltou de 16.656 hectares para 62.600 hectares em poucos dias — quase quadruplicando de tamanho entre sábado e quarta-feira da mesma semana (17/06/2026) —, segundo o The […]
17 JUN 2026

Foto: Ministério de Situações de Emergência da Rússia — da matéria do The Moscow Times
A área queimada por incêndios florestais na região de Krasnoyarsk, na Sibéria russa, saltou de 16.656 hectares para 62.600 hectares em poucos dias — quase quadruplicando de tamanho entre sábado e quarta-feira da mesma semana (17/06/2026) —, segundo o The Moscow Times. Cerca de 90 incêndios ativos, majoritariamente em terreno remoto, levaram à mobilização de mais de 1.400 especialistas, reforçados por mais de 350 profissionais vindos das regiões vizinhas de Buryatia e Zabaikalsky, com 30 aeronaves e 30 equipamentos terrestres especializados em combate a incêndio. Um estado de emergência por incêndio já havia sido declarado na região na semana anterior. O Centro Regional de Incêndios Florestais garantiu que “a situação permanece totalmente sob controle, e não há ameaça a áreas residenciais”. Um fator de risco adicional identificado pelas autoridades: a infestação da mariposa-da-seda-siberiana, uma praga que mata árvores e deixa grandes volumes de madeira morta — altamente inflamável — espalhados pela floresta.
O caso de Krasnoyarsk ilustra uma categoria de risco praticamente ausente da gestão de risco brasileira, mas relevante em qualquer floresta manejada: a interação entre pragas florestais e risco de incêndio. Uma infestação de inseto que mata árvores não é apenas um problema fitossanitário ou econômico (perda de madeira comercial) — é, também, um multiplicador de risco de incêndio, porque converte floresta viva (com maior teor de umidade, mais resistente ao fogo) em floresta morta e seca (combustível pronto). A escala do salto de área queimada em Krasnoyarsk — de 16.656 para 62.600 hectares em poucos dias — sugere que esse combustível adicional acelerou a propagação além do que a resposta de combate conseguiu conter proporcionalmente.
Para o Brasil, com florestas plantadas de eucalipto e pinus geridas por grandes empresas florestais, e também com áreas de vegetação nativa sujeitas a pragas e doenças (como a ferrugem em algumas espécies), a lição de Krasnoyarsk é sobre monitoramento integrado: sistemas de defesa civil e de gestão florestal que tratam pragas/doenças florestais e risco de incêndio como problemas separados — um cuidado da agronomia, outro do combate a incêndio — perdem a oportunidade de identificar, com antecedência, onde a próxima grande área de combustível seco e inflamável está se formando, antes que ela vire manchete de incêndio fora de controle.
“A mariposa mata a árvore. A árvore morta vira combustível. E o incêndio que devora 46 mil hectares a mais em poucos dias começou, na verdade, meses antes, com uma praga que ninguém tratou como risco de incêndio.”
Fontes
- The Moscow Times — “Russia deploys emergency crews to Siberia as Krasnoyarsk wildfires nearly quadruple in size” — 17/06/2026 — https://www.themoscowtimes.com/2026/06/17/russia-deploys-emergency-crews-to-siberia-as-krasnoyarsk-wildfires-nearly-quadruple-in-size-a93032