Goiana vive a segunda enchente em menos de dois meses: 500 desabrigados e cinco escolas viram abrigo
Foto: Divulgação/Prefeitura de Goiana — da matéria do Diario de Pernambuco O fim de semana de 27 a 29 de junho devolveu Goiana, na Mata Norte pernambucana, ao pior lugar possível: dentro d’água pela segunda vez em menos de sessenta dias. Mais de 110 mm de chuva em 24 horas transbordaram os rios Goiana e […]
29 JUN 2026

Foto: Divulgação/Prefeitura de Goiana — da matéria do Diario de Pernambuco
O fim de semana de 27 a 29 de junho devolveu Goiana, na Mata Norte pernambucana, ao pior lugar possível: dentro d’água pela segunda vez em menos de sessenta dias. Mais de 110 mm de chuva em 24 horas transbordaram os rios Goiana e Siriji, e cerca de 500 pessoas — 481 no balanço do Diario de Pernambuco — deixaram áreas de risco como o Baldo do Rio e a Vila Bom Tempo, acolhidas em cinco escolas municipais transformadas em abrigos temporários, com alimentação, atendimento médico e psicológico, conforme o Terra. A régua da bacia cobrou também os vizinhos: 13 desabrigados em Timbaúba e 60 desalojados em Vicência, incluídos em aluguel social. A prefeitura manteve as equipes “com atenção especial ao Rio Siriji, cujas águas vindas de municípios vizinhos podem intensificar as cheias nas próximas horas” — o clássico aviso de quem está a jusante. O prefeito Marcílio Régio prorrogou por 30 dias o decreto de emergência, e a Portaria nº 2.200 da Defesa Civil Nacional, assinada dias depois, reconheceria a situação do município.
A resposta funcionou — abrigos abertos rápido, famílias retiradas, decreto atualizado destravando o rito federal. Mas o número que define esta notícia é outro: segunda cheia em sessenta dias, nos mesmos bairros, com as mesmas famílias. Quando o desastre repete o endereço em dois meses, ele deixa de ser evento e vira condição — e a régua da gestão muda junto. A resposta excelente à segunda enchente é, também, a evidência de que a primeira não gerou o que deveria: realocação definitiva das famílias das cotas mais baixas, com alternativa habitacional digna; revisão da drenagem e das ocupações na planície; e a pergunta dura sobre quantas vezes a mesma escola pode virar abrigo antes de o ano letivo virar vítima crônica.
O ciclo decreto-abrigo-recuperação, repetido a cada cheia, é caro, exaustivo e sempre mais aceitável politicamente que a solução definitiva — até a cheia em que deixa de ser. Goiana, como dezenas de cidades brasileiras de beira de rio, está no meio dessa conta.
“Quando a enchente repete o endereço em sessenta dias, o problema deixou de ser a chuva.”
Fontes
- Diario de Pernambuco — “Goiana tem segunda cheia em menos de dois meses; 481 pessoas estão desabrigadas” — 28/06/2026 — https://www.diariodepernambuco.com.br/vida-urbana/2026/06/11717623-goiana-tem-segunda-cheia-em-menos-de-dois-meses-500-pessoas-sao-deslocadas-de-areas-de-risco.html
- Terra — “Em menos de dois meses, Goiana (PE) vive nova enchente que deixa 500 desabrigados” — 29/06/2026 — https://www.terra.com.br/noticias/previsao-do-tempo/em-menos-de-dois-meses-goiana-pe-vive-nova-enchente-que-deixa-500-desabrigados,3afc1de735d10314858a9d92340ead2az4ivr9ei.html
- DetectEI — “Portaria nº 2.200, de 3 de julho de 2026 (Defesa Civil Nacional)” — 07/2026 — https://detectei.ia.br/normativas/geral/portaria-n-2-200-de-3-de-julho-de-2026–5okrqynd