Fumaça que cobriu Nova York a 1.500 km de distância: a pior temporada de incêndios já registrada no Canadá
Foto: Yuki Iwamura/Bloomberg via Getty Images — da matéria da NPR Em 7 de junho de 2023, moradores de Nova York acordaram sob um céu alaranjado e uma qualidade do ar entre as piores do mundo — resultado de fumaça que viajara mais de 1.500 km desde incêndios florestais em Quebec, no Canadá. O episódio […]
08 JUN 2023

Foto: Yuki Iwamura/Bloomberg via Getty Images — da matéria da NPR
Em 7 de junho de 2023, moradores de Nova York acordaram sob um céu alaranjado e uma qualidade do ar entre as piores do mundo — resultado de fumaça que viajara mais de 1.500 km desde incêndios florestais em Quebec, no Canadá. O episódio marcou o pico de repercussão internacional de uma temporada que, ao ser consolidada em outubro, se confirmaria como a pior já registrada no país: 184.961 km² de área queimada, mais de seis vezes a média histórica. A temporada seguiria ativa até o outono, com focos em praticamente todas as províncias e territórios canadenses, exceto Nunavut.
Ao longo do verão, oito brigadistas e socorristas morreram em operações de combate ao fogo — atingidos por árvores em queda, em acidentes de helicóptero e em uma colisão de caminhão que matou quatro integrantes de uma mesma equipe perto de Walhachin, na Colúmbia Britânica. Entre 185 mil e 232 mil pessoas foram deslocadas de suas casas, e a escala da crise levou o Canadá a mobilizar cerca de 5.000 bombeiros vindos de outros países — incluindo Brasil, Chile e Costa Rica — no maior esforço de cooperação internacional de combate a incêndios florestais da história recente do país. “Essas condições, tão cedo na temporada, são sem precedentes. Devido à mudança climática, eventos climáticos extremos semelhantes podem continuar a aumentar”, afirmou Bill Blair, ministro da Segurança Pública do Canadá.
Para gestores públicos brasileiros, o episódio oferece duas lições concretas. A primeira é a validação de protocolos de cooperação internacional de brigadistas como ferramenta viável e escalável — o mesmo modelo de mutirão que trouxe bombeiros brasileiros ao Canadá em 2023 é o que o Brasil vem acionando (e deveria fortalecer) em seus próprios picos de incêndio, como no Pantanal e no cerrado. A segunda é a necessidade de protocolos formais de qualidade do ar como parte da rotina de defesa civil: a fumaça de incêndios florestais não respeita fronteiras municipais, estaduais ou nacionais, e populações a milhares de quilômetros de distância — inclusive crianças e idosos com comorbidades respiratórias — podem ser diretamente afetadas por decisões de manejo florestal tomadas em outro país.
“‘Essas condições, tão cedo na temporada, são sem precedentes. Devido à mudança climática, eventos climáticos extremos semelhantes podem continuar a aumentar’ — Bill Blair, ministro da Segurança Pública do Canadá”
Fontes
- NPR — “Photos: Extreme Canadian wildfire smoke shrouds parts of U.S.” — 07/06/2023 — https://www.npr.org/sections/pictureshow/2023/06/07/1180688173/photos-extreme-canadian-wildfire-smoke-shrouds-parts-of-u-s
- CBC Radio — “World on Fire: 2023 is Canada’s worst wildfire season on record — and it’s not over yet” — https://www.cbc.ca/radio/ideas/world-on-fire-canada-s-worst-wildfire-season-on-record-1.6946472
- Observatório do Clima — “Fogo recorde no Canadá não para e país recebe ajuda do Brasil” — https://oc.eco.br/fogo-recorde-no-canada-nao-para-e-pais-recebe-ajuda-do-brasil/