“Fiquem em casa”: o alerta emitido dois dias antes que evitou um número maior de mortos na bomba ciclônica
Foto: NOAA/NESDIS/STAR GOES-19 — da matéria do The Watchers Uma “bomba ciclônica” — ciclogênese explosiva com queda de pressão de cerca de 40 hPa em 24 horas — atingiu o Nordeste dos Estados Unidos e o Canadá Atlântico entre 22 e 24 de fevereiro de 2026, batendo recordes históricos de nevasca em múltiplas cidades: Providence […]
24 FEV 2026

Foto: NOAA/NESDIS/STAR GOES-19 — da matéria do The Watchers
Uma “bomba ciclônica” — ciclogênese explosiva com queda de pressão de cerca de 40 hPa em 24 horas — atingiu o Nordeste dos Estados Unidos e o Canadá Atlântico entre 22 e 24 de fevereiro de 2026, batendo recordes históricos de nevasca em múltiplas cidades: Providence (Rhode Island) registrou 96,3 cm, superando o recorde da cidade que datava de 1978; Newark (Nova Jersey) teve o segundo maior acumulado da história, 68,8 cm, segundo o The Watchers. Sete estados americanos — Nova Jersey, Nova York, Connecticut, Massachusetts, Rhode Island, Pensilvânia e Maryland — decretaram estado de emergência. A governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill, havia assinado a Ordem Executiva Nº 14 já em 21 de fevereiro, dois dias antes do pico da tempestade: “a partir de amanhã, e continuando até segunda-feira, esperamos ver uma tempestade de inverno trazer condições severas de nevasca por todo o nosso estado. Estamos pedindo a todos os moradores de Nova Jersey que usem cautela, fiquem fora das estradas e sigam todos os protocolos de segurança durante a tempestade.” Ventos com força de furacão atingiram 158 km/h na costa de Massachusetts. Mais de 650 mil clientes ficaram sem energia no pico do evento, e mais de 11 mil voos foram cancelados. O registro consolidado da tragédia aponta ao menos 30 mortes distribuídas entre os estados afetados, segundo dados consolidados posteriores ao evento — 15 delas em Nova Jersey.
O que a decisão da governadora Sherrill de decretar emergência dois dias antes do pico da tempestade evidencia, além da gravidade climática do evento em si, é o valor mensurável de uma janela de antecedência mesmo curta: uma ordem executiva assinada 48 horas antes do pico permite que rodovias sejam preparadas, frotas de remoção de neve sejam pré-posicionadas, abrigos sejam ativados e a população receba a instrução clara de evitar deslocamentos — decisões operacionais que, tomadas em cima da hora, no meio da tempestade, teriam efeito muito menor sobre o número final de vítimas.
Para municípios brasileiros sujeitos a eventos climáticos extremos previsíveis com alguma antecedência — vendavais, ciclones extratropicais, ondas de frio —, a lição de governança deste caso é agir sobre a previsão, não sobre a confirmação: quando um serviço meteorológico oficial projeta um evento severo com dois ou mais dias de antecedência, decretar emergência preventivamente — mesmo que a intensidade final ainda seja incerta — é uma decisão de baixo custo político comparada ao custo de uma resposta tardia iniciada apenas quando o evento já está em curso.
“Dois dias antes do pico, a governadora já havia decretado emergência e pedido para as pessoas ficarem em casa. Recordes de nevasca de mais de 90 anos foram quebrados — mas a resposta operacional já estava pronta quando a tempestade chegou, não sendo organizada durante ela.”
Fontes
- The Watchers — “Late-February 2026 Nor’easter sets all-time snowfall records and leaves 650,000 without power across Northeast U.S.” — 24/02/2026 — https://watchers.news/2026/02/24/late-february-2026-noreaster-sets-all-time-snowfall-records-and-leaves-650-000-without-power-across-northeast-u-s/
- New Jersey Governor’s Office — Ordem Executiva Nº 14 (comunicado oficial) — 21/02/2026 — https://www.nj.gov/governor/news/2026/20260221a.shtml
- Wikipedia (dados consolidados de vítimas, verificados via fonte agregadora) — “February 2026 North American blizzard” — https://en.wikipedia.org/wiki/February_2026_North_American_blizzard