Erupção vulcânica em Tonga isolou o país por dias após romper seu único cabo de internet submarino
Foto: NOAA — da matéria da UN News No fim da tarde de 15 de janeiro de 2022, por volta das 17h locais, o vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha’apai entrou em erupção no Reino de Tonga, no Pacífico Sul, em um dos eventos vulcânicos mais potentes já registrados por instrumentos científicos. A explosão foi ouvida […]
15 JAN 2022

Foto: NOAA — da matéria da UN News
No fim da tarde de 15 de janeiro de 2022, por volta das 17h locais, o vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha’apai entrou em erupção no Reino de Tonga, no Pacífico Sul, em um dos eventos vulcânicos mais potentes já registrados por instrumentos científicos. A explosão foi ouvida a milhares de quilômetros de distância — inclusive no Alasca — e gerou uma onda de pressão atmosférica que deu a volta ao planeta, segundo a NCEI/NOAA. O tsunami resultante provocou ondas de 1,2 metro na capital, Nuku’alofa, matou ao menos três pessoas em Tonga e causou duas mortes por afogamento no distante Peru, segundo a UN News. Na ilha principal, Tongatapu, cerca de 100 casas foram danificadas e 50 completamente destruídas; na pequena ilha de Nomuka, 41 das 104 estruturas visíveis ficaram danificadas.
O relato de quem viveu o momento revela a dimensão do pânico. “Veio pelo rádio — um alerta de tsunami para toda Tonga… não consigo descrever a sensação”, contou Tevita Fukofuka, morador de Tongatapu, à Al Jazeera. “Parece literalmente um filme de terror apocalíptico, mas pior, muito pior”, descreveu. Sobre o som da explosão, foi direto: “Se a morte tivesse um som, seria esse.” E sobre a nuvem de cinzas que cobriu a ilha com cerca de 2 centímetros de espessura: “O céu ficou completamente escuro. A densidade das nuvens de cinzas vindas do vulcão transformou o dia em noite.” Dias depois, o coordenador da ONU para as Ilhas do Pacífico relatava operações de limpeza removendo “até 200 metros de cinzas por dia”. O rompimento do único cabo de fibra óptica submarino do país deixou Tonga sem comunicação com o mundo por dias, e as ilhas Ha’apai e Vava’u ficaram sem contato algum durante esse período — dificultando a própria coordenação da resposta ao desastre.
Para gestores municipais de defesa civil no Brasil, Tonga é um alerta sobre risco de baixíssima probabilidade e altíssimo impacto combinado com dependência de infraestrutura única: quando o principal — ou único — canal de comunicação de uma cidade cai justamente no momento da emergência, toda a cadeia de alerta e coordenação trava junto. A lição prática é dupla: mapear e diversificar os canais críticos de comunicação de emergência (rádio, satélite, rede telefônica, sistemas alternativos) antes que um evento extremo prove que o município tinha apenas um caminho; e formalizar protocolos de cooperação regional e transnacional, já que a resposta a desastres de grande escala raramente cabe dentro dos limites de uma única prefeitura ou de um único país.
“Se a morte tivesse um som, seria esse — Tevita Fukofuka, morador de Tongatapu, relatando à imprensa o momento da erupção”
Fontes
- UN News — “Tonga volcano eruption: At least 3 dead, amid severe destruction” — janeiro de 2022 — https://news.un.org/en/story/2022/01/1109972
- Al Jazeera — “The day the world went dark: Survivor recalls disaster in Tonga” — 23/01/2022 — https://www.aljazeera.com/amp/news/2022/1/23/the-day-the-world-went-dark-survivor-recalls-disaster-in-tonga
- NCEI/NOAA — “January 15, 2022 Tonga Volcanic Eruption and Tsunami” — janeiro de 2022 — https://www.ncei.noaa.gov/news/january-15-2022-tonga-volcanic-eruption-and-tsunami
- ReliefWeb — “Tonga: Volcanic Eruption and Tsunami – Jan 2022” — janeiro de 2022 — https://reliefweb.int/disaster/vo-2022-000005-ton