“É hora de criar uma comissão do calor”: Índia bate recorde de 14 anos em Délhi e especialista propõe novo órgão permanente
Foto: ANI — da matéria da ANI News Uma onda de calor severa no norte da Índia fez com que Délhi registrasse, em 21 de maio de 2026, a noite mais quente em 14 anos, com temperaturas chegando a 47,6°C em Banda (Uttar Pradesh) e 48,1°C em Krishna (Andhra Pradesh), segundo a ANI News. O […]
26 MAI 2026

Foto: ANI — da matéria da ANI News
Uma onda de calor severa no norte da Índia fez com que Délhi registrasse, em 21 de maio de 2026, a noite mais quente em 14 anos, com temperaturas chegando a 47,6°C em Banda (Uttar Pradesh) e 48,1°C em Krishna (Andhra Pradesh), segundo a ANI News. O Departamento Meteorológico da Índia (IMD) emitiu alertas vermelhos para o período de 25 a 28 de maio. Diante do padrão recorrente de ondas de calor severas nos últimos anos, a Dra. Soumya Swaminathan, ex-cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde, propôs publicamente a criação de um novo órgão de governança permanente: “é a hora certa para a Índia estabelecer uma comissão do calor para proteger vidas e meios de subsistência”, declarou, complementando com um alerta técnico pouco discutido publicamente: “o calor úmido é, na verdade, uma ameaça maior à saúde, porque o corpo é incapaz de se resfriar” — uma referência ao fato de que a combinação de calor e alta umidade impede a evaporação do suor, o mecanismo natural de resfriamento corporal, tornando certas ondas de calor muito mais letais do que sua temperatura nominal sugere.
A proposta de uma “comissão do calor” — um órgão permanente, multissetorial, dedicado especificamente à gestão do risco de calor extremo, e não apenas mais um item na lista de responsabilidades genéricas de um órgão de defesa civil já sobrecarregado — reconhece algo que a maioria dos sistemas de defesa civil do mundo ainda não incorporou: o calor extremo tem uma cadeia de impactos multissetorial (saúde pública, condições de trabalho ao ar livre, consumo de energia, infraestrutura urbana, mortalidade em populações vulneráveis) que raramente é coordenada por um único órgão com mandato claro e recursos dedicados — diferentemente de enchentes e incêndios, que já têm, na maioria dos países, uma cadeia de resposta institucional mais estabelecida.
Para o Brasil — país que já registra ondas de calor cada vez mais frequentes e severas, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste —, a proposta indiana de uma governança dedicada ao calor extremo é uma pauta de política pública ainda pouco explorada nos municípios: enquanto a maioria dos planos municipais de contingência trata calor extremo como um item entre outros dentro do guarda-chuva geral da Defesa Civil, um modelo dedicado — mesmo que em escala municipal ou intermunicipal, sem precisar da estrutura de uma “comissão” nacional — poderia coordenar especificamente pontos de hidratação pública, monitoramento de trabalhadores ao ar livre, alertas específicos para populações vulneráveis (idosos, moradores em situação de rua, trabalhadores rurais) e ajuste de horários de atividades públicas em dias de calor extremo, com uma clareza de mandato que hoje raramente existe.
“O calor úmido mata mais do que o termômetro sugere, porque o corpo não consegue se resfriar. E, para a especialista, isso já é motivo suficiente para um órgão de governança dedicado só a isso — não mais um item na lista de um órgão de defesa civil sobrecarregado.”
Fontes
- ANI News — “Right time for India to set up ‘heat commission’ to protect lives and livelihoods: Dr Soumya Swaminathan” — 26/05/2026 — https://aninews.in/news/national/general-news/right-time-for-india-to-set-up-heat-commission-to-protect-lives-and-livelihoods-dr-soumya-swaminathan20260526125032/
- The Wire — “India Braces For Four More Days of Extreme Heatwave” — 26/05/2026 — https://m.thewire.in/article/environment/india-braces-for-four-more-days-of-extreme-heatwave