Comparado ao terremoto de 2010: os incêndios que mataram ao menos 131 pessoas em um bairro turístico do Chile
Foto: Associated Press — da matéria da Euronews Entre 2 e 4 de fevereiro de 2024, incêndios florestais varreram a região de Valparaíso, no Chile, e transformaram o bairro de Villa Independencia, em Viña del Mar, em um dos cenários mais mortais da história recente do país. Cerca de 92 focos de incêndio foram registrados […]
03 FEV 2024

Foto: Associated Press — da matéria da Euronews
Entre 2 e 4 de fevereiro de 2024, incêndios florestais varreram a região de Valparaíso, no Chile, e transformaram o bairro de Villa Independencia, em Viña del Mar, em um dos cenários mais mortais da história recente do país. Cerca de 92 focos de incêndio foram registrados simultaneamente no centro e sul chileno, mas foi o avanço do fogo sobre a área densamente povoada e turística de Viña del Mar que produziu a maior tragédia: o balanço oficial de 6 de fevereiro confirmou ao menos 131 mortos e 35 desaparecidos, com cerca de 43 mil hectares queimados — incluindo mais de 7 mil hectares só na Reserva Lago Peñuelas — e mais de 1.000 residências destruídas. Quatro hospitais e três asilos precisaram ser evacuados às pressas, e dois terminais de ônibus foram consumidos pelas chamas.
A velocidade com que o fogo saltou de área rural para quarteirões residenciais pegou moradores de surpresa e levou o presidente Gabriel Boric a decretar estado de exceção por catástrofe, mobilizando Forças Armadas e recursos extraordinários para o combate. “Se lhes disserem para evacuar, não hesitem em fazê-lo. Os incêndios avançam rápido e as condições climáticas dificultam o controle”, declarou Boric, ainda no auge da crise. A ministra do Interior, Carolina Tohá, detalhou o esforço de resposta — 19 helicópteros e mais de 450 bombeiros mobilizados — enquanto a prefeita de Viña del Mar, Macarena Ripamonti, descreveu o episódio como “uma catástrofe sem precedentes”, a primeira vez que um evento de tal magnitude atingia a região. Autoridades chilenas passaram a comparar publicamente a tragédia ao terremoto de 2010, até então a referência máxima de desastre no imaginário nacional.
Para a defesa civil de municípios brasileiros com áreas de interface urbano-florestal — litoral com vegetação nativa, encostas com mata secundária, bairros turísticos cercados por reservas —, o episódio chileno é um alerta direto: a decisão de evacuar precisa ser automática e antecipada, não condicionada à confirmação visual do fogo já dentro do perímetro urbano. Prefeituras deveriam manter protocolos pré-definidos que disparem ordens de evacuação a partir de índices objetivos de risco (umidade relativa, velocidade do vento, proximidade de focos ativos detectados por satélite), em vez de esperar avaliação caso a caso quando o tempo de resposta já se esgotou. Igualmente crítico é o mapeamento prévio de rotas de fuga em bairros de alta densidade colados a áreas verdes — o que faltou em Villa Independencia e custou dezenas de vidas em poucas horas.
“Se lhes disserem para evacuar, não hesitem em fazê-lo. Os incêndios avançam rápido e as condições climáticas dificultam o controle.” — Gabriel Boric, presidente do Chile, ao decretar estado de exceção por catástrofe durante o avanço do fogo sobre Viña del Mar”
Fontes
- Euronews — “Dozens killed in Chile as forest fires rage in densely populated central areas” — 04/02/2024 — https://www.euronews.com/2024/02/04/dozens-killed-in-chile-as-forest-fires-rage-in-densely-populated-central-areas
- CNN Brasil — “Número de mortos em incêndios florestais no Chile sobe para 131” — 06/02/2024 — https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/numero-de-mortos-em-incendios-florestais-no-chile-sobe-para-131/
- Agência Brasil — “Passa de 100 número de mortos em incêndios no Chile” — 05/02/2024 — https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2024-02/passa-de-100-numero-de-mortos-em-incendios-no-chile