Cinco dias seguidos de alerta: o desgaste de manter o Litoral Sul de SC em vigilância contínua
A Defesa Civil de Santa Catarina manteve o Litoral Sul e a Grande Florianópolis — 37 municípios, incluindo Florianópolis, Tubarão, Palhoça, Laguna e Imbituba — sob alerta contínuo de alagamento costeiro entre 18 e 23 de maio de 2026, com boletins técnicos emitidos quase diariamente, segundo comunicados oficiais da Secretaria de Estado da Proteção e […]
22 MAI 2026

A Defesa Civil de Santa Catarina manteve o Litoral Sul e a Grande Florianópolis — 37 municípios, incluindo Florianópolis, Tubarão, Palhoça, Laguna e Imbituba — sob alerta contínuo de alagamento costeiro entre 18 e 23 de maio de 2026, com boletins técnicos emitidos quase diariamente, segundo comunicados oficiais da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de SC. Os meteorologistas do órgão, Francine Sacco e Augusto Pereira, explicaram tecnicamente a causa da persistência do fenômeno em um dos boletins: “o predomínio do vento sul e a chegada de swell vindo de alto mar mantém as condições para alagamentos costeiros” — uma combinação de vento e ondulação oceânica que, diferentemente de uma chuva pontual, não se resolve em poucas horas.
Cinco dias seguidos de alerta sobre a mesma condição de risco levantam uma questão pouco discutida na comunicação de defesa civil: o risco de “fadiga de alerta”, fenômeno em que a população, exposta repetidamente ao mesmo tipo de aviso sem que o pior cenário se concretize a cada vez, tende a reduzir gradualmente sua atenção e sua propensão a agir diante de alertas subsequentes — mesmo quando o risco descrito continua real. Um sistema de monitoramento que emite boletins tecnicamente precisos e atualizados, como fez a Defesa Civil de SC, cumpre corretamente sua função de vigilância — mas a comunicação pública precisa, paralelamente, gerenciar a curva de atenção da população ao longo de um evento prolongado, para que o alerta do quinto dia não seja recebido com a mesma indiferença que um alerta genérico e não verificado.
Para municípios costeiros brasileiros sujeitos a eventos climáticos de longa duração — não apenas alagamentos por vento e swell, mas também estiagens prolongadas ou períodos extensos de chuva —, a experiência catarinense sugere uma prática de comunicação a ser incorporada: variar deliberadamente o formato e o conteúdo do alerta ao longo de um evento prolongado (por exemplo, destacando a cada dia um aspecto diferente do risco — impacto no transporte, em um dia; risco para pedestres em vias específicas, no seguinte) é uma forma de manter a atenção pública sem soar repetitivo, evitando que a mensagem se torne ruído de fundo antes que o risco real esteja de fato encerrado.
“Cinco dias, o mesmo alerta técnico, o mesmo risco real — mas a população presta menos atenção no quinto dia do que no primeiro. Gerenciar essa fadiga de atenção é parte do trabalho de comunicação de risco tanto quanto emitir o boletim certo.”
Fontes
- Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina — “Observação Marítima SDC-SC — alagamentos costeiros entre segunda 18 e sexta-feira 22” — 19/05/2026 — https://www.defesacivil.sc.gov.br/2026/05/19/observacao-maritima-sdc-sc-19-05-0920-alagamentos-costeiros-entre-segunda-18-e-sexta-feira-22/
- Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina — “Observação 22/05 23:09 — chuva persistente de intensidade moderada a forte com alagamentos pontuais nas próximas 5 horas” — 22/05/2026 — https://www.defesacivil.sc.gov.br/2026/05/22/observacao-22-05-2309-chuva-persistente-de-intensidade-moderada-a-forte-com-alagamentos-pontuais-nas-proximas-5-horas/