Amazônia tem pior dia de queimadas em 15 anos às vésperas da eleição: 3.358 focos em 24 horas
Foto: Douglas Magno/AFP — da matéria d[o] (o)eco Em 22 de agosto de 2022, a Amazônia brasileira registrou 3.358 focos de incêndio em um único dia — o pior dia em 15 anos, quase o triplo do infame “Dia do Fogo” de agosto de 2019, segundo dados do INPE compilados pelo Observador. O mês inteiro […]
22 AGO 2022

Foto: Douglas Magno/AFP — da matéria d[o] (o)eco
Em 22 de agosto de 2022, a Amazônia brasileira registrou 3.358 focos de incêndio em um único dia — o pior dia em 15 anos, quase o triplo do infame “Dia do Fogo” de agosto de 2019, segundo dados do INPE compilados pelo Observador. O mês inteiro fechou com 33.116 focos de incêndio, o maior número para agosto em 12 anos, segundo apuração da ClimaInfo divulgada em 2 de setembro. O padrão não foi um pico isolado: os quatro piores agostos da década ocorreram todos durante a gestão do governo então em curso, somando 121.383 focos — quase equivalente ao total acumulado entre 2011 e 2018 combinados (128.722 focos).
Para especialistas que monitoram a floresta, o recorde não foi acidente climático, mas consequência direta de ação humana. Mariana Napolitano, da WWF-Brasil, foi taxativa: “Os incêndios fora de controle observados nos últimos quatro anos estão intimamente associados ao aumento do desmatamento e degradação florestal nesse período.” Ela reforçou o mecanismo por trás do fogo: “O fogo não surge espontaneamente no bioma e sua ocorrência está sempre ligada a ações humanas — especialmente desmatamento e degradação florestal.” Rômulo Batista, do Greenpeace, que acompanha a região há mais de uma década, descreveu a magnitude do que viu em sobrevoos de monitoramento: “nunca tinha visto desmatamento em uma escala tão grande acompanhado de tanta fumaça.”
O recorde de queimadas ocorreu às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais de 2 de outubro de 2022, tornando a política ambiental tema central da campanha nacional — mas o episódio também é um lembrete de que incêndio florestal é, antes de tudo, uma questão de defesa civil municipal. Municípios da Amazônia Legal concentram a fiscalização de queimadas em propriedades rurais e a resposta a emergências de qualidade do ar causadas pela fumaça, que afeta diretamente a saúde respiratória da população urbana — de Manaus a Porto Velho. A lição de governança para prefeituras amazônicas é dupla: primeiro, integrar o monitoramento de focos de calor do INPE a protocolos automáticos de alerta de qualidade do ar, tratando fumaça intensa como emergência de saúde pública, não apenas como questão ambiental; segundo, fortalecer a fiscalização municipal de queimadas em propriedades rurais, já que o fogo na Amazônia raramente é natural — ele segue o mapa do desmatamento.
“nunca tinha visto desmatamento em uma escala tão grande acompanhado de tanta fumaça — Rômulo Batista, Greenpeace, sobre o monitoramento da Amazônia em agosto de 2022”
Fontes
- Observador — “Floresta da Amazônia regista o pior dia de queimadas em 15 anos com 3.358 focos de calor” — 26/08/2022 — https://observador.pt/2022/08/26/floresta-da-amazonia-regista-o-pior-dia-de-queimadas-em-15-anos-com-3-358-focos-de-calor/
- ClimaInfo — “Queimadas explodem: Amazônia tem o agosto com mais incêndios dos últimos 12 anos” — 02/09/2022 — https://climainfo.org.br/2022/09/02/queimadas-explodem-amazonia-tem-o-agosto-com-mais-incendios-dos-ultimos-12-anos/
- (o)eco — “Amazônia tem recorde de queimadas em agosto; número é o maior dos últimos 12 anos” — 01/09/2022 — https://oeco.org.br/noticias/amazonia-tem-recorde-de-queimadas-em-agosto-numero-e-o-maior-dos-ultimos-12-anos/