Aeroportos parados, mortes em rodovias geladas, planos de contingência acionados: a Europa Ocidental sob a tempestade Goretti
Foto: NL Times — imagem contextual de inverno na Holanda, não específica do momento mais crítico da tempestade; da matéria do NL Times Uma onda de frio severa combinada à tempestade batizada “Goretti” atingiu a Europa Ocidental e os Balcãs entre 5 e 9 de janeiro de 2026, deixando ao menos cinco mortos na França […]
07 JAN 2026Foto: NL Times — imagem contextual de inverno na Holanda, não específica do momento mais crítico da tempestade; da matéria do NL Times
Uma onda de frio severa combinada à tempestade batizada “Goretti” atingiu a Europa Ocidental e os Balcãs entre 5 e 9 de janeiro de 2026, deixando ao menos cinco mortos na França — a maioria em acidentes de trânsito ligados a pistas geladas — e uma morte na Bósnia, causada pela queda de uma árvore. Na Holanda, mais de 800 voos foram cancelados no aeroporto de Schiphol em decorrência das condições de gelo e neve, segundo o NL Times, enquanto o instituto meteorológico holandês KNMI emitiu “Código Laranja” para diversas províncias. No Reino Unido, o Met Office manteve avisos amarelos e âmbar para neve e gelo em vigor durante toda a semana. O ministro dos Transportes da França, Philippe Tabarot, declarou que o governo acionaria “todos os meios necessários” para garantir a segurança das rodovias e dos usuários mais vulneráveis do sistema de transporte durante o episódio. A Météo-France, por sua vez, ativou seu plano de contingência de inverno voltado a populações vulneráveis — moradores em situação de rua, idosos e pessoas com mobilidade reduzida —, com abertura de abrigos de emergência em diversas cidades francesas. O frio e a neve também afetaram Bélgica, Hungria e partes dos Bálcãs, com registros de acidentes rodoviários e interrupções de fornecimento de energia em áreas rurais.
O que essa sequência evidencia, além da extensão geográfica do fenômeno — da Holanda aos Balcãs, atravessando fronteiras nacionais em poucos dias —, é a existência de um sistema de códigos de alerta razoavelmente padronizado entre países europeus (o “Código Laranja” holandês, os avisos âmbar britânicos), que permite a cada população reconhecer rapidamente o nível de risco mesmo comparando comunicados de institutos meteorológicos diferentes. Mais notável ainda é o plano de contingência de inverno da Météo-France especificamente desenhado para populações vulneráveis: não um alerta genérico de frio, mas um protocolo que já prevê, antes da emergência começar, onde e como abrigar quem tem menor capacidade de se proteger sozinho.
Para municípios brasileiros expostos a eventos de frio intenso — sobretudo na Região Sul e em áreas de altitude no Sudeste —, a lição de governança deste caso está em dois pontos: primeiro, adotar (ou aderir a) um sistema de códigos de alerta claro e padronizado, que permita à população reconhecer o nível de risco sem precisar interpretar textos técnicos; segundo, ter um plano de contingência de inverno pré-desenhado especificamente para população em situação de rua e idosos — sabendo de antemão onde estão os abrigos disponíveis e como ativá-los —, em vez de improvisar a resposta depois que o frio já chegou.
“O ministro dos Transportes da França prometeu ‘todos os meios necessários’ para proteger os usuários mais vulneráveis das rodovias — mas o detalhe mais replicável para gestores municipais é o plano de contingência de inverno da Météo-France, que já sabia, antes da tempestade chegar, onde abrigar quem tem menos capacidade de se proteger sozinho.”
Fontes
- Euronews — cobertura da tempestade Goretti e onda de frio na Europa Ocidental — 06-07/01/2026 — https://www.euronews.com/
- NL Times — “800+ flights cancelled at Schiphol amid winter weather” — 08-09/01/2026 — https://nltimes.nl/
- Met Office (Reino Unido) — avisos amarelos e âmbar para neve e gelo — janeiro de 2026 — https://www.metoffice.gov.uk/