Copernicus confirma: Europa Ocidental teve o junho mais quente da história — 3°C acima da média
Foto: David Montero Rodriguez/GHHIN-EJN Extreme Heat Photo Contest — da matéria da OMM Na quinta-feira, 9 de julho, o serviço climático europeu Copernicus e a Organização Meteorológica Mundial oficializaram o que os termômetros de junho haviam gritado: a Europa Ocidental viveu o junho mais quente já registrado, com média de 20,74°C — impressionantes 3,05°C acima […]
09 JUL 2026

Foto: David Montero Rodriguez/GHHIN-EJN Extreme Heat Photo Contest — da matéria da OMM
Na quinta-feira, 9 de julho, o serviço climático europeu Copernicus e a Organização Meteorológica Mundial oficializaram o que os termômetros de junho haviam gritado: a Europa Ocidental viveu o junho mais quente já registrado, com média de 20,74°C — impressionantes 3,05°C acima da normal 1991-2020 —, superando o recorde do próprio junho de 2025, conforme o boletim do C3S e a nota da OMM. No planeta, foi o segundo junho mais quente da série; nos oceanos, recorde absoluto de temperatura da superfície do mar para o mês. O rosário de máximas nacionais consolidadas no boletim: 252 estações alemãs com recordes históricos (41,7°C em Coschen), 43,8°C na França, 42,7°C em Bilbao, 40,5°C na Polônia, 37,3°C no Reino Unido — e a França contabilizando 40 mortes por afogamento durante a onda de calor, o efeito colateral de multidões buscando alívio na água. “Nos 50 anos desde a histórica onda de calor de 1976, a Europa como um todo aqueceu cerca de dois graus”, contextualizou John Kennedy, da OMM.
Junto do balanço, o alerta técnico mais útil da semana, do assessor de calor extremo OMS-OMM Armel Castellan: o perigo maior está nas temperaturas noturnas elevadas — as “noites tropicais” que impedem o corpo de se recuperar e concentram a mortalidade, especialmente entre idosos.
Por que um boletim climático europeu importa ao radar municipal brasileiro? Por três razões práticas. Primeiro, o oceano recordista de junho é o mesmo sistema que alimenta os extremos de todo o planeta — o El Niño que o Brasil administrava naquele mesmo mês. Segundo, o mecanismo apontado por Castellan vale integralmente aqui: cidade que só monitora máximas diurnas enxerga metade do risco; a mínima noturna é o gatilho que deveria abrir centro climatizado e disparar busca ativa. Terceiro, o método: boletins mensais oficiais, gratuitos e comparáveis (Copernicus, Inmet, Cemaden) são insumo pronto para o gestor comunicar tendência local com autoridade — “não é impressão sua, é recorde” — e fundamentar, com dados, o investimento em adaptação que o orçamento sempre reluta em priorizar.
“O recorde de junho não é notícia europeia — é o mesmo oceano quente que escreve o nosso próximo verão.”
Fontes
- WMO — “Western Europe has hottest June on record” — 09/07/2026 — https://wmo.int/media/news/western-europe-has-hottest-june-record
- Copernicus/C3S — “Record heatwave brings hottest June for western Europe during second-warmest June globally” — 07/2026 — https://climate.copernicus.eu/copernicus-record-heatwave-brings-hottest-june-western-europe-during-second-warmest-june-globally
- Euronews — “June 2026 broke heat records across Europe and oceans, EU climate data reveals” — 09/07/2026 — https://www.euronews.com/my-europe/2026/07/09/june-2026-broke-heat-records-across-europe-and-oceans-eu-climate-data-reveals