Ponte de R$ 36 milhões desaba um dia depois de ser interditada no Acre — governo processa construtora
Foto: Divulgação/Prefeitura de Sena Madureira — da matéria da Revista Oeste A Ponte Frei Paolino Baldassari, de 232 metros sobre o rio Iaco, em Sena Madureira (AC), desabou na noite de 5 de junho de 2026 — cerca de 60% da estrutura cedeu, segundo o Corpo de Bombeiros, conforme a Revista Oeste. A ponte, inaugurada […]
05 JUN 2026

Foto: Divulgação/Prefeitura de Sena Madureira — da matéria da Revista Oeste
A Ponte Frei Paolino Baldassari, de 232 metros sobre o rio Iaco, em Sena Madureira (AC), desabou na noite de 5 de junho de 2026 — cerca de 60% da estrutura cedeu, segundo o Corpo de Bombeiros, conforme a Revista Oeste. A ponte, inaugurada há apenas dois anos e meio e construída ao custo de R$ 36 milhões, havia sido interditada preventivamente um dia antes, em 4 de junho, por problemas estruturais identificados em vistoria — e desabou menos de 24 horas depois. Quatro pessoas ficaram feridas: Edinaldo Muniz, 54 anos, juiz aposentado, em estado crítico com traumatismo craniano, trauma abdominal e lesão renal; seu irmão Edinei Muniz, 51, com fraturas; Antônio Morais Lima Filho, 36, também em estado crítico; e Weverton Murieta, 34, com ferimentos leves. A governadora Mailza Assis foi ao local, e em 6 de junho o governo do Acre anunciou processo judicial contra a construtora responsável, com pedido de bloqueio de bens e abertura de investigação de 30 dias pela Polícia Civil, segundo o O Tempo.
O intervalo entre a interdição preventiva e o colapso — menos de um dia — é o dado que mais interessa à gestão de risco de infraestrutura: a decisão de interditar chegou a tempo de reduzir o número de vítimas (a ponte já não tinha tráfego normal quando desabou), mas não a tempo de zerar o risco por completo, porque as quatro pessoas feridas ainda estavam na estrutura ou em suas proximidades no momento do colapso. Isso expõe uma limitação real de qualquer protocolo de interdição preventiva: identificar risco estrutural e emitir a ordem de interdição é necessário, mas não suficiente — é preciso também garantir, na prática, que a interdição seja fisicamente cumprida (bloqueio de acesso, sinalização robusta, fiscalização) e que o intervalo entre a identificação do risco e a evacuação completa da área seja o menor possível, porque uma estrutura já identificada como comprometida pode romper a qualquer momento, inclusive antes que a interdição tenha efeito pleno sobre quem ainda está por perto.
Para gestores municipais responsáveis por pontes, viadutos e passarelas — sobretudo os com menos de cinco anos de uso, que a população tende a presumir seguros por serem “novos” —, o caso de Sena Madureira reforça duas práticas indissociáveis: primeiro, vistoria estrutural técnica recorrente, não apenas reativa a denúncia ou suspeita; segundo, um protocolo de interdição de emergência que inclua isolamento físico imediato e completo da estrutura — não apenas uma placa ou aviso —, porque a diferença entre “interditado no papel” e “interditado na prática” pode ser, como em Sena Madureira, a diferença entre zero e quatro feridos.
“A interdição chegou um dia antes do colapso — a tempo de reduzir vítimas, mas não a tempo de zerar o risco. Interditar no papel e isolar fisicamente a estrutura não são a mesma coisa.”
Fontes
- Revista Oeste — “Ponte de quase R$ 40 milhões desaba no Acre um dia depois de interdição” — 06/06/2026 — https://revistaoeste.com/brasil/ponte-de-quase-r-40-milhoes-desaba-no-acre-um-dia-depois-de-interdicao/
- O Tempo — “Governo do Acre vai processar construtora após desabamento de ponte em Sena Madureira” — 06/06/2026 — https://www.otempo.com.br/brasil/2026/6/6/governo-do-acre-vai-processar-construtora-apos-desabamento-de-ponte-em-sena-madureira
- ac24horas — cobertura do colapso da ponte — 05/06/2026 — https://ac24horas.com/2026/06/05/urgente-ponte-frei-paolino-em-sena-madureira-desaba/