Pular para o conteúdo
Heimdall Notícias Ir para o site →
Internacional

Ciclone Batsirai mata 123 em Madagascar em desastre agravado por uma sequência de tempestades

Foto: Rijasolo/AFP — da matéria da Al Jazeera O Ciclone Batsirai tocou o solo de Madagascar por volta das 17h30 UTC de 5 de fevereiro de 2022, próximo à cidade de Nosy Varika, na costa sudeste do país. O balanço de mortos, que começou em “pelo menos 20” no dia 7 de fevereiro, subiu rapidamente […]

05 FEV 2022
Ciclone Batsirai mata 123 em Madagascar em desastre agravado por uma sequência de tempestades
Imagem de satélite mostra inundações provocadas pelo Ciclone Batsirai em Madagascar

Foto: Rijasolo/AFP — da matéria da Al Jazeera

O Ciclone Batsirai tocou o solo de Madagascar por volta das 17h30 UTC de 5 de fevereiro de 2022, próximo à cidade de Nosy Varika, na costa sudeste do país. O balanço de mortos, que começou em “pelo menos 20” no dia 7 de fevereiro, subiu rapidamente para 120 até o dia 11, segundo a Al Jazeera — no total, 123 pessoas morreram (121 em Madagascar e 2 nas Ilhas Maurício). Somente no distrito de Ikongo, o mais atingido, foram 87 mortes. O ciclone deixou cerca de 112 mil pessoas deslocadas e 91 mil desabrigadas, com 124 mil casas danificadas ou destruídas; dias após a passagem da tempestade, cerca de 30 mil pessoas viviam em 108 abrigos temporários, de acordo com o ReliefWeb. Os prejuízos econômicos foram estimados em US$ 200 milhões.

O acesso às áreas mais afetadas foi um dos maiores obstáculos da resposta. A organização humanitária alemã Welthungerhilfe informou que “poderia levar até mais cinco dias para alcançar todas as aldeias afetadas por Batsirai, por causa do fechamento de estradas provocado pelos deslizamentos” — evidenciando como o isolamento geográfico retarda o socorro mesmo depois de mobilizada a ajuda internacional. Um porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) classificou os danos esperados como “consideráveis”. O agravante do caso de Madagascar é o encadeamento de eventos: Batsirai chegou poucas semanas depois da tempestade tropical Ana, em janeiro, e foi seguido, ainda em fevereiro, pelo Ciclone Emnati — um “combo” de desastres sucessivos que sobrecarregou a capacidade de resposta humanitária de um dos países mais pobres do mundo, como registrou a Wikipedia.

Para a defesa civil municipal brasileira, Madagascar ilustra um risco pouco discutido nos planos de contingência: o de “fadiga de desastres em cadeia”, quando um segundo ou terceiro evento atinge a mesma região antes que estoques de ajuda humanitária, equipes e orçamento emergencial do evento anterior tenham sido reconstituídos. A lição prática é dimensionar reservas técnicas e financeiras — e planos de contingência escalonados — pensando em múltiplos eventos na mesma temporada de chuvas, não em um único evento isolado; e mapear previamente rotas de acesso alternativas às comunidades mais vulneráveis, já que estradas cortadas por deslizamentos podem atrasar em dias a chegada do socorro mesmo quando a ajuda já está a caminho.

“Poderia levar até mais cinco dias para alcançar todas as aldeias afetadas por Batsirai, por causa do fechamento de estradas provocado pelos deslizamentos — Welthungerhilfe, organização humanitária alemã, sobre o acesso às áreas atingidas”

Fontes

  • Al Jazeera — “Madagascar: Death toll from Cyclone Batsirai rises to 120” — 11/02/2022 — https://www.aljazeera.com/news/2022/2/11/madagascar-death-toll-from-cyclone-batsirai-rises-to-120
  • Al Jazeera — “Cyclone Batsirai: At least 20 killed in Madagascar tropical storm” — 07/02/2022 — https://www.aljazeera.com/news/2022/2/7/cyclone-kills-20-in-madagascar-but-quickly-weakens-on-land
  • ReliefWeb — “Tropical Cyclone Batsirai – Feb 2022” — fevereiro de 2022 — https://reliefweb.int/disaster/tc-2022-000160-mdg
  • Wikipedia (en) — “Cyclone Batsirai” — 2022 — https://en.wikipedia.org/wiki/Cyclone_Batsirai