33 açudes sangrando: o monitoramento por satélite que dá ao Ceará um retrato fiel dos seus reservatórios
Foto: Divulgação — da matéria do Diário do Nordeste O Ceará fechou abril de 2026 com 33 açudes sangrando (verificando) e 13 reservatórios acima de 90% de capacidade, com um aporte de 2,90 bilhões de m³ registrado no mês — o terceiro melhor volume em uma década —, segundo o Diário do Nordeste e o […]
01 MAI 2026

Foto: Divulgação — da matéria do Diário do Nordeste
O Ceará fechou abril de 2026 com 33 açudes sangrando (verificando) e 13 reservatórios acima de 90% de capacidade, com um aporte de 2,90 bilhões de m³ registrado no mês — o terceiro melhor volume em uma década —, segundo o Diário do Nordeste e o Ibandce. O número de açudes sangrando é inferior aos 49 registrados no mesmo período de 2025, mas ainda representa uma recarga hídrica robusta para o estado. O monitoramento dos níveis é feito pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) por meio de sistema de satélite, que, segundo a companhia, “garante acesso a um conteúdo com alta resolução, traçando um retrato mais fiel das condições reais dos reservatórios.”
Diferente da maioria dos itens desta edição, centrados em resposta emergencial a desastres já em curso, este caso ilustra o outro lado da gestão de risco hídrico: um sistema permanente de monitoramento, mantido independentemente de haver ou não uma crise em andamento, que permite ao gestor estadual acompanhar a evolução da recarga dos reservatórios mês a mês, com precisão de satélite, em vez de depender de medições manuais esparsas ou de estimativas desatualizadas. É esse tipo de infraestrutura de monitoramento contínuo que, em anos de seca severa, permite identificar com antecedência quais reservatórios estão em trajetória crítica — antes que a crise hídrica se manifeste de forma aguda para a população.
Para estados e municípios brasileiros sujeitos a variabilidade hídrica interanual — não apenas no semiárido nordestino, mas em qualquer região com dependência de reservatórios para abastecimento —, o modelo cearense de monitoramento por satélite centralizado em um único órgão técnico (a Cogerh) é uma política de Estado replicável mesmo em escala menor: o investimento em capacidade de monitoramento contínuo, mantido em anos de fartura hídrica como em anos de escassez, é o que permite decisões de gestão baseadas em dado atualizado, não em estimativa reativa feita sob pressão de uma crise já instalada.
“33 açudes sangrando não é uma notícia sobre um desastre evitado — é sobre um sistema de monitoramento que funciona o ano inteiro, não só quando a crise aperta. Dado por satélite, mês a mês, é o que permite ao gestor agir antes que o reservatório vire manchete.”
Fontes
- Diário do Nordeste — “Ceará tem 33 açudes sangrando no penúltimo mês da quadra chuvosa; veja locais” — 01/05/2026 — https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/ceara/ceara-tem-33-acudes-sangrando-no-penultimo-mes-da-quadra-chuvosa-veja-locais-1.3760990
- Ibandce — “Ceará: 33 açudes sangrando em abril de 2026” — 01/05/2026 — https://ibandce.com.br/ceara-33-acudes-sangrando-abril-2026/