A temporada “normal” mais letal em décadas: o que a avalanche de Val Ridanna revela sobre risco percebido
Foto: AP — da matéria da CBS News Uma avalanche atingiu, em 21 de março de 2026, por volta do meio-dia, um grupo de 25 esquiadores de travessia (ski touring) a cerca de 2.400 metros de altitude em Val Ridanna, no Tirol do Sul, norte da Itália, perto da fronteira com a Áustria, matando 2 […]
21 MAR 2026

Foto: AP — da matéria da CBS News
Uma avalanche atingiu, em 21 de março de 2026, por volta do meio-dia, um grupo de 25 esquiadores de travessia (ski touring) a cerca de 2.400 metros de altitude em Val Ridanna, no Tirol do Sul, norte da Itália, perto da fronteira com a Áustria, matando 2 pessoas e deixando 5 feridas, 3 delas em estado grave, segundo a CBS News, o PlanetSki e o Washington Times. Seis helicópteros foram mobilizados pelo Corpo Nacional de Socorro Alpino e Espeleológico (CNSAS) para a operação de resgate. O evento elevou o total de mortes por avalanche na temporada europeia 2025-2026 a 129 — um número acima da média histórica anual de aproximadamente 100 mortes, tornando esta uma das temporadas mais letais já registradas nos Alpes europeus.
O que este número agregado revela, mais do que o episódio isolado de Val Ridanna, é um padrão que não se explica apenas pela quantidade de neve da temporada: 2025-2026 não foi descrita nas fontes apuradas como uma temporada excepcionalmente nevada ou climaticamente atípica, o que sugere que o aumento de mortes por avalanche reflete, ao menos em parte, mudança no comportamento de risco dos próprios usuários — mais praticantes de esqui de travessia buscando terreno fora de pista, possivelmente com percepção de risco desatualizada frente às condições reais do dia. Isso reposiciona o problema de gestão de risco: não basta emitir o boletim de risco de avalanche, que é informação passiva à disposição de quem procura; é preciso comunicação ativa e, em dias de risco elevado, medidas físicas de restrição de acesso a determinadas rotas.
Para gestores brasileiros de áreas de risco geotécnico — encostas, mornas e regiões de deslizamento —, o paralelo estrutural com o caso italiano é direto, ainda que o risco específico seja distinto (deslizamento de terra, não de neve): um boletim de risco publicado no site oficial, sem comunicação ativa e sem restrição física de acesso em dias de risco elevado, tende a ser ignorado por quem já decidiu, antes de checar o boletim, seguir com o plano original. A lição de Val Ridanna é que a comunicação de risco eficaz precisa alcançar quem está prestes a tomar a decisão de risco — não apenas quem já procura ativamente a informação.
“129 mortes por avalanche numa temporada que não foi descrita como excepcionalmente nevada — o risco não mudou tanto quanto o comportamento de quem decide entrar na área. Um boletim publicado no site não alcança quem já decidiu ir antes de checá-lo; só a restrição física de acesso em dias de risco elevado alcança.”
Fontes
- CBS News — “Skiers killed, hurt in northern Italy avalanche” — 21/03/2026 — https://www.cbsnews.com/news/skiers-killed-hurt-northern-italy-avalanche/
- PlanetSki — “Two more avalanche deaths in the Alps” — 22/03/2026 — https://planetski.eu/2026/03/22/two-more-avalanche-deaths-in-the-alps/
- Washington Times — “Deadly South Tyrol avalanche kills 2 skiers, trapping 25 near Austria” — 21/03/2026 — https://www.washingtontimes.com/news/2026/mar/21/deadly-south-tyrol-avalanche-kills-2-skiers-trapping-25-near-austria/