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Brasil

Seis semanas após Petrópolis, chuva recorde mata 18 em Angra dos Reis e Paraty e expõe risco em cadeia no litoral do RJ

Foto: Divulgação/Prefeitura de Angra dos Reis (RJ) — da matéria da Gazeta do Povo Na madrugada de 1º para 2 de abril de 2022, um temporal histórico atingiu o litoral sul do Rio de Janeiro, deixando 18 mortos no estado — a maioria concentrada em Angra dos Reis e Paraty. Em Angra dos Reis, dez […]

02 ABR 2022
Seis semanas após Petrópolis, chuva recorde mata 18 em Angra dos Reis e Paraty e expõe risco em cadeia no litoral do RJ
Angra dos Reis registrou volume recorde de chuvas em abril de 2022

Foto: Divulgação/Prefeitura de Angra dos Reis (RJ) — da matéria da Gazeta do Povo

Na madrugada de 1º para 2 de abril de 2022, um temporal histórico atingiu o litoral sul do Rio de Janeiro, deixando 18 mortos no estado — a maioria concentrada em Angra dos Reis e Paraty. Em Angra dos Reis, dez corpos foram recuperados de um único deslizamento de terra, com a chuva batendo recorde histórico da cidade: 655 mm na área continental e 592 mm na Ilha Grande, segundo balanço divulgado pela Agência Brasil. Em Paraty, uma mãe e cinco filhos morreram soterrados, e a comunidade Caiçara registrou sete mortes. Diante do volume de chuva, a prefeitura de Angra dos Reis determinou ordem de evacuação para 70 bairros da cidade. O episódio ocorreu apenas seis semanas depois da tragédia de Petrópolis, que já havia deixado 241 mortos na região serrana fluminense em fevereiro do mesmo ano — reforçando, para o estado, um padrão de desastres por chuva intensa se repetindo em municípios distintos em curtíssimo intervalo de tempo.

Em meio ao temporal, Eduardo Pato Rouco, secretário de Desenvolvimento Social de Angra dos Reis, resumiu a orientação emergencial às famílias em áreas de risco, segundo cobertura da Metrópoles: “Só saiam de suas casas com extrema necessidade. Neste momento, a prioridade é a vida.” A recomendação refletia a gravidade do cenário em uma cidade de relevo acidentado, onde bairros inteiros ficaram isolados por deslizamentos nas estradas de acesso. Em Paraty, a concentração de mortes na comunidade Caiçara — ocupação de baixa renda em encosta — reproduziu o padrão observado em Petrópolis meses antes: populações vulneráveis instaladas em áreas de risco geotécnico conhecido pagando o preço mais alto quando a chuva extrapola a capacidade de escoamento e contenção do solo.

Para gestores de defesa civil no Brasil, Angra dos Reis e Paraty reforçam uma lição que Petrópolis já havia ensinado meses antes, mas que continuou sem resposta estrutural: municípios turísticos litorâneos com relevo acidentado e comunidades de baixa renda em encostas não podem depender de um sistema de alerta e mapeamento de risco isolado, montado município a município, cidade a cidade, sempre reagindo depois do desastre seguinte. A repetição do mesmo padrão de tragédia a apenas seis semanas de distância, em outra cidade do mesmo estado, é argumento concreto para que estados como o Rio de Janeiro adotem um sistema estadual integrado de monitoramento pluviométrico, mapeamento geotécnico e protocolo de evacuação — compartilhado entre municípios vizinhos com geografia de risco semelhante — em vez de deixar cada prefeitura reconstruir sua própria capacidade de resposta isoladamente, sempre um desastre atrás do necessário.

“Só saiam de suas casas com extrema necessidade. Neste momento, a prioridade é a vida — Eduardo Pato Rouco, secretário de Desenvolvimento Social de Angra dos Reis”

Fontes

  • Agência Brasil (Radioagência Nacional) — “Sobe para 18 número de mortos por causa das chuvas no Rio de Janeiro” — abril/2022 — https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/geral/audio/2022-04/sobe-para-18-numero-de-mortos-por-causa-das-chuvas-no-rio-de-janeiro
  • Metrópoles — “Número de mortos por temporais chega a 18 no estado do Rio de Janeiro” — abril/2022 — https://www.metropoles.com/brasil/chuvas-rj-angra-dos-reis
  • Gazeta do Povo — “Sobe o número de mortos em decorrência do temporal no litoral do RJ; Angra registra recorde histórico de chuva” — 02/04/2022 — https://www.gazetadopovo.com.br/republica/breves/sobe-numero-de-mortos-por-temporal-no-rj-angra-registra-recorde-historico-de-chuva/
  • Folha PE (via agência) — “Rio de Janeiro: somando 14 mortos, temporais afetam Paraty, Angra e Baixada” — abril/2022 — https://www.folhape.com.br/noticias/rio-de-janeiro-temporais-afetam-paraty-angra-e-baixada/222062/