O risco não termina quando a chuva para: por que Minas Gerais manteve o alerta por mais uma semana
Foto: Leandro Couri/EM/D.A Press — da matéria do Estado de Minas O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prorrogou, em 14 de março de 2026, o alerta de perigo para chuva intensa em Minas Gerais até o dia 20 de março, mantendo 620 municípios mineiros sob risco de chuvas de 50 a 100 mm por dia […]
14 MAR 2026

Foto: Leandro Couri/EM/D.A Press — da matéria do Estado de Minas
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prorrogou, em 14 de março de 2026, o alerta de perigo para chuva intensa em Minas Gerais até o dia 20 de março, mantendo 620 municípios mineiros sob risco de chuvas de 50 a 100 mm por dia e ventos acima de 60 km/h — incluindo a Região Metropolitana de Belo Horizonte e a Zona da Mata, região que, segundo o Estado de Minas, “ainda lida com as consequências das fortes chuvas de fevereiro” — referência às enchentes e deslizamentos que atingiram Juiz de Fora, Ubá e outras cidades da região no fim daquele mês, tragédia que já havia motivado, em 10 de março, a assinatura pelo presidente Lula da Medida Provisória 1.339/2026, liberando R$ 266,5 milhões em crédito extraordinário para ações de resposta e apoio às famílias atingidas. O meteorologista do Inmet, Lizandro Gemiacki, projetou: “as cidades mineiras devem continuar registrando pancadas de chuva no fim do dia.” O coronel Paulo Roberto Bermudes Rezende, coordenador da Defesa Civil estadual de Minas Gerais, orientou: “em caso de chuva intensa, a orientação é evitar áreas de alagamento.” O prefeito de Raposos, Guilherme Bitencourt, descreveu a postura de sua gestão: “estamos com todas as equipes mobilizadas e em contato constante com as cidades da região.”
O que a extensão deste alerta por mais uma semana inteira evidencia é que o risco de um novo evento climático não desaparece quando a chuva do desastre original para de cair — ele muda de natureza. Solo já saturado pelas chuvas de fevereiro absorve muito menos água antes de gerar novo alagamento ou deslizamento; encostas já fragilizadas por um primeiro movimento de terra ficam mais suscetíveis a um segundo. Isso significa que, semanas depois do pico de um desastre já fora do noticiário nacional, o risco técnico real em uma região atingida pode estar tão alto quanto — ou mais alto — do que estava no momento do evento original, mesmo que a atenção pública já tenha se voltado para outra coisa.
Para prefeituras que já passaram pelo pico de um desastre climático, a lição deste episódio mineiro é operacional: manter os protocolos de monitoramento e as equipes mobilizadas ativos por semanas após o evento original — não apenas até a cobertura de imprensa diminuir — é o que evita que um segundo evento, sobre solo já fragilizado, pegue a gestão municipal de surpresa por ter relaxado a vigilância cedo demais.
“O alerta foi prorrogado por mais uma semana inteira — não porque uma nova chuva forte estava chegando, mas porque o solo que já sofreu em fevereiro não esqueceu o que sofreu. O risco muda de forma quando a chuva para; não desaparece.”
Fontes
- Estado de Minas — “Chuvas mantêm Minas Gerais em alerta na reta final do verão” — 14/03/2026 — https://www.em.com.br/gerais/2026/03/7375467-chuvas-mantem-minas-gerais-em-alerta-na-reta-final-do-verao.html
- ClimaInfo — “Inmet emite alerta de perigo para temporais em MG e outros estados” (contexto da abertura do alerta) — 09/03/2026 — https://climainfo.org.br/2026/03/09/inmet-emite-alerta-de-perigo-para-temporais-em-mg-e-outros-estados/