“30 centímetros já bastam para arrastar um carro”: o alerta que já existia antes do casal de idosos morrer
Foto: Reprodução TV Globo/Estadão — da matéria do Terra Um temporal na noite de sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, provocou uma enxurrada na Avenida Carlos Caldeira Filho, entre os bairros Capão Redondo e Vila Andrade, na zona sul de São Paulo, arrastando dois carros para dentro de um córrego. Um casal de idosos — […]
16 JAN 2026

Foto: Reprodução TV Globo/Estadão — da matéria do Terra
Um temporal na noite de sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, provocou uma enxurrada na Avenida Carlos Caldeira Filho, entre os bairros Capão Redondo e Vila Andrade, na zona sul de São Paulo, arrastando dois carros para dentro de um córrego. Um casal de idosos — Marcos da Mata Ribeiro, 68 anos, e Maria Deusdete da Mata Ribeiro, 67 — desapareceu dentro do veículo. O corpo de Marcos foi encontrado no dia seguinte, a cerca de 1 km do local, próximo ao Autódromo de Interlagos, segundo a CNN Brasil, que confirmou a identificação pelo filho do casal. O corpo de Maria só foi localizado quatro dias depois, em 19 de janeiro, após buscas contínuas dos Bombeiros. A mesma tempestade provocou, só na noite de 16/01, 19 quedas de árvore, 13 ocorrências de desabamento, 33.765 imóveis sem energia (26.037 na capital) e chuva acumulada de até 92mm em 24 horas em Santo André, segundo o Metrópoles. A Defesa Civil de São Paulo reiterou, no mesmo comunicado sobre o temporal, uma orientação já repetida em ocasiões anteriores: “apenas 30 centímetros de água já são suficientes para arrastar um veículo.”
O que a reiteração dessa cifra específica evidencia, além da tragédia em si, é a diferença entre emitir um alerta genérico (“evite áreas alagadas”) e comunicar um limiar concreto e memorável (“30 centímetros”): a Defesa Civil de São Paulo já vinha usando essa métrica específica em comunicados anteriores, exatamente porque um número simples e verificável a olho é mais fácil de reter e aplicar no momento da decisão do que uma recomendação abstrata. Ainda assim, o casal Ribeiro tentou atravessar — ou já estava em rota quando a água subiu rapidamente, como costuma acontecer em enxurradas urbanas, que podem elevar o nível de um córrego canalizado em minutos. A existência do alerta certo, comunicado com a métrica certa, não impediu a tragédia — o que aponta para um desafio de governança distinto do de formular a mensagem: garantir que ela chegue ao motorista no exato momento em que ele está prestes a decidir atravessar, não apenas em campanhas educativas periódicas.
Para municípios brasileiros com pontos de travessia sobre córregos ou vias historicamente sujeitas a alagamento repentino, a lição de governança deste caso é que a métrica de risco (como os “30 centímetros”) precisa estar fisicamente visível no próprio local de risco — sinalização, réguas de nível, barreiras automáticas ou luminosas que se acionam durante chuva forte —, e não depender apenas de campanhas de comunicação geral veiculadas antes ou depois do evento: o motorista precisa da informação no momento em que a decisão de atravessar está sendo tomada, não em um alerta que ele já esqueceu.
“‘Apenas 30 centímetros de água já são suficientes para arrastar um veículo’ — a Defesa Civil de São Paulo já dizia isso antes desta tragédia específica. A métrica certa, comunicada da forma certa, ainda precisa chegar ao motorista no momento exato em que ele decide atravessar — não apenas nas campanhas que ele já viu antes.”
Fontes
- CNN Brasil — “Bombeiros encontram corpo de homem que estava em carro arrastado por chuva” — 17/01/2026 — https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/bombeiros-encontram-corpo-de-homem-que-estava-em-carro-arrastado-por-chuva/
- Metrópoles — “SP: chuva causa alagamentos e deixa desaparecidos” — 16/01/2026 — https://www.metropoles.com/sao-paulo/sp-chuva-alagamentos-desaparecidos
- São Paulo Agora — “Corpo de mulher é encontrado após enxurrada na zona sul de SP” — 19/01/2026 — https://www.spagora.com.br/capital/2026/01/19/corpo-mulher-encontrado-enxurrada-zona-sul-sp/