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Brasil

Ressaca fora de época invade 70 casas em cidade que já vivia sob decreto de emergência havia cinco meses

Foto: Divulgação/Defesa Civil/ND Mais — da matéria do ND Mais Uma ressaca marítima atingiu o litoral norte de Santa Catarina no fim de semana de 3 e 4 de janeiro de 2026, com ondas de 3 a 5 metros — chegando a 4,5 metros em áreas oceânicas — entre o Chuí (RS) e Arraial do […]

04 JAN 2026
Ressaca fora de época invade 70 casas em cidade que já vivia sob decreto de emergência havia cinco meses
Avanço do mar sobre residências em Balneário Barra do Sul, Santa Catarina

Foto: Divulgação/Defesa Civil/ND Mais — da matéria do ND Mais

Uma ressaca marítima atingiu o litoral norte de Santa Catarina no fim de semana de 3 e 4 de janeiro de 2026, com ondas de 3 a 5 metros — chegando a 4,5 metros em áreas oceânicas — entre o Chuí (RS) e Arraial do Cabo (RJ), segundo alerta divulgado pelo Jornal Em Foco Itapoá. O impacto mais grave ocorreu na madrugada de domingo, 4 de janeiro, por volta das 4h30, em Balneário Barra do Sul, onde a água invadiu cerca de 70 residências e obrigou a interdição da Avenida Amândio Cabral, segundo o ND Mais. Itapoá, São Francisco do Sul e Barra Velha também entraram em estado de alerta. Leonardo Guimarães Pupo Silveira, técnico da Defesa Civil de Balneário Barra do Sul, descreveu o contexto mais amplo da cidade: “a cidade segue em situação de emergência. Temos um decreto ativo desde agosto, e temos vivido mais eventos climáticos atípicos” — referência a um decreto de emergência por erosão costeira em vigor desde agosto de 2025, ao qual este episódio se somou. Ressacas na região costumam se concentrar entre julho e setembro; um evento de intensidade comparável em janeiro é, segundo a própria Defesa Civil local, atípico para a época do ano.

O que a fala do técnico da Defesa Civil evidencia, além da magnitude do episódio isolado, é o padrão de um município que já opera de forma crônica sob risco costeiro: Balneário Barra do Sul acumula, desde sua fundação em 1992, 15 decretos de emergência por ressaca e 13 por erosão costeira — um histórico que torna cada novo evento não uma emergência isolada, mas mais uma camada sobre uma crise estrutural já em curso. O fato de este episódio específico ter ocorrido fora da janela sazonal esperada (jan­eiro, não o período de julho a setembro historicamente mais associado a ressacas na região) reforça um padrão que municípios costeiros brasileiros já vêm observando: eventos que a experiência histórica local classificava como sazonais estão deixando de seguir esse calendário com a mesma previsibilidade.

Para municípios costeiros brasileiros que enfrentam erosão ou ressaca de forma recorrente, a lição de governança deste caso está em dois pontos: primeiro, tratar decretos de emergência costeira crônicos não como eventos isolados a serem renovados burocraticamente, mas como sinalizadores de que a infraestrutura de contenção existente já não é suficiente para o padrão atual de risco — o que pode justificar investimento estrutural, não apenas resposta emergencial repetida; segundo, não presumir que o calendário histórico de eventos costeiros (época “de ressaca”) continuará se repetindo da mesma forma, e manter monitoramento ativo mesmo fora dos meses tradicionalmente mais críticos.

“‘Temos um decreto ativo desde agosto, e temos vivido mais eventos climáticos atípicos’ — a fala de um técnico da Defesa Civil resume o problema de uma cidade que já não trata cada ressaca como emergência isolada, mas como mais uma camada sobre uma crise costeira que se tornou estrutural.”

Fontes

  • Jornal Em Foco Itapoá — “Mar agitado e ressaca colocam litoral de Santa Catarina em alerta neste início de janeiro” — 03/01/2026 — https://jornalemfocoitapoa.com.br/mar-agitado-e-ressaca-colocam-litoral-de-santa-catarina-em-alerta-neste-inicio-de-janeiro/
  • ND Mais — “Cidade em emergência: avanço do mar que atingiu 70 casas ameaça outras no Litoral de SC?” — 08/01/2026 — https://ndmais.com.br/meio-ambiente/ressaca-em-sc-pode-ameacar-outras-cidades-no-litoral-norte/