O sexto terremoto mais forte já registrado sacudiu todo o Pacífico — e quase não deixou mortos
Foto: The Asahi Shimbun/Getty Images — da matéria da National Geographic Brasil Às 11h24 (horário local) de 30 de julho de 2025 — 23h24 de 29 de julho em horário UTC —, um terremoto de magnitude Mw 8,8 atingiu a costa leste da península de Kamchatka, no extremo oriente da Rússia, empatando como o sexto […]
30 JUL 2025

Foto: The Asahi Shimbun/Getty Images — da matéria da National Geographic Brasil
Às 11h24 (horário local) de 30 de julho de 2025 — 23h24 de 29 de julho em horário UTC —, um terremoto de magnitude Mw 8,8 atingiu a costa leste da península de Kamchatka, no extremo oriente da Rússia, empatando como o sexto terremoto mais forte já registrado na história, segundo dados do USGS reunidos pela Wikipédia. O tremor gerou um tsunami que se espalhou por todo o Oceano Pacífico: ondas de 5 a 6 metros atingiram a costa russa, com 6,3 metros registrados em Severo-Kurilsk e um respingo isolado de até 33,1 metros em um vale de rio próximo à Baía Vestnik. No Japão, ondas de até 1,3 metro chegaram a Kuji, na província de Iwate, e imagens do momento em que o mar avançou sobre a costa em Shiogama, Miyagi, foram registradas pela National Geographic Brasil, com fotos da Asahi Shimbun/Getty Images. O Havaí registrou 1,74 metro em Kahului, a Califórnia 1,1 metro em Crescent City, e o Chile ondas de 1 a 2,5 metros ao longo de sua costa — alertas de tsunami chegaram ainda à Polinésia Francesa, às Ilhas Galápagos, à Nova Zelândia, às Filipinas, à Indonésia e a Taiwan, segundo a NOAA. Apesar da magnitude histórica do sismo, o saldo de vítimas fatais diretas foi baixíssimo: apenas uma morte indireta foi confirmada, a de uma mulher de 58 anos no Japão, cujo carro caiu de um penhasco durante a evacuação. Foram registrados 25 feridos no total, cerca de 1.400 casas danificadas e 2.700 pessoas evacuadas, além de sete vulcões que entraram em erupção em Kamchatka na sequência do tremor. O porto de Severo-Kurilsk, na Rússia, foi gravemente danificado. Um porta-voz do Kremlin atribuiu os danos limitados à “robusta construção dos prédios e à preparação da população local”, segundo a cobertura consolidada em fontes internacionais.
O episódio evidencia uma dissociação pouco intuitiva entre magnitude sísmica e mortalidade: um dos terremotos mais fortes já medidos no planeta, com potencial para gerar um tsunami transoceânico capaz de acionar alertas simultâneos do Japão ao Chile e ao Havaí, produziu uma única morte indireta — resultado de décadas de investimento em normas de construção sismo-resistentes na costa russa e de sistemas de alerta de tsunami do Pacífico que deram tempo de evacuação antes da chegada das ondas. A comparação com desastres de magnitude muito menor, mas com milhares de mortos, mostra que a variável decisiva não é a força do fenômeno, mas a distância entre o alerta e a ação de proteção.
Para municípios brasileiros — mesmo sem risco sísmico relevante, mas expostos a outros eventos de baixa frequência e alto impacto potencial (rompimento de barragem, deslizamento de grande escala) —, a lição de governança é que sistemas de alerta transnacionais e simulados de evacuação regulares, como os praticados em torno do Pacífico, reduzem mortes de forma mensurável quando o tempo entre a detecção do evento e a ação da população é maximizado — o que reforça a importância de simulados periódicos de evacuação, e não apenas da existência formal de um plano de contingência no papel.
“Um terremoto entre os seis mais fortes já registrados na história da humanidade — e uma única morte indireta confirmada: Kamchatka é o retrato do que a preparação, e não a sorte, pode fazer diante da força bruta da natureza.”
Fontes
- National Geographic Brasil — “O que causou o megaterremoto na Rússia? Cientistas contam como tremor quebrou o fundo do mar e gerou tsunami” — 2025 — https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2025/07/o-que-causou-o-megaterremoto-na-russia-cientistas-contam-como-tremor-quebrou-o-fundo-do-mar-e-gerou-tsunami
- Wikipédia (pt) — “Sismo de Kamchatka de 2025” — https://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo_de_Kamchatka_de_2025
- NOAA Science On a Sphere — “Tsunami Historical Series: Kamchatka, Russia – 2025” — https://sos.noaa.gov/catalog/datasets/tsunami-historical-series-kamchatka-russia-2025/