Europa: onda de calor recorde mata cerca de 2.300 pessoas em 12 cidades em duas semanas
Foto: Reuters/Tom Nicholson — da matéria da Agência Brasil Duas ondas de calor consecutivas atingiram ao menos 12 países europeus em junho de 2025 — a primeira entre 17 e 22 de junho, a segunda a partir de 30 de junho —, e um estudo de atribuição rápida conduzido por cientistas do clima estimou cerca […]
30 JUN 2025

Foto: Reuters/Tom Nicholson — da matéria da Agência Brasil
Duas ondas de calor consecutivas atingiram ao menos 12 países europeus em junho de 2025 — a primeira entre 17 e 22 de junho, a segunda a partir de 30 de junho —, e um estudo de atribuição rápida conduzido por cientistas do clima estimou cerca de 2.300 mortes em 12 grandes cidades europeias durante o período, segundo reportagem da Agência Brasil. Milão foi a cidade mais afetada, com 317 mortes estimadas, seguida por Paris, Barcelona e Londres; Lisboa registrou 21 mortes estimadas. Do total, 88% das vítimas tinham mais de 65 anos. Termômetros bateram recordes históricos: Espanha e Portugal chegaram a 46°C, e ao norte de Lisboa a sensação térmica alcançou 48°C. O serviço europeu de monitoramento climático Copernicus classificou 30 de junho como “um dos dias de verão mais quentes já registrados”, e a Organização Meteorológica Mundial (WMO) confirmou que a Europa Ocidental teve o junho mais quente de sua série histórica. “Uma mudança de apenas 2°C ou 3°C pode significar vida ou morte para milhares de pessoas”, resumiu o climatologista Ben Clarke, do Imperial College London, em declaração citada pela imprensa internacional. Semanas antes, quando a primeira onda ainda avançava, o Observatório do Clima já registrava um balanço parcial de oito mortos e temperaturas recordes — um retrato de como o número de vítimas cresceu ao longo do mês.
O que esse episódio evidencia é a natureza silenciosa e cumulativa da mortalidade por calor extremo: diferente de uma enchente ou de um deslizamento, não há um único momento de impacto visível, corpos ou escombros — a maioria das mortes ocorre dias depois, em casas sem refrigeração, entre idosos que vivem sozinhos, e só aparece nas estatísticas quando pesquisadores cruzam dados de mortalidade com temperatura. É por isso que o número de 2.300 mortes vem de um estudo de atribuição rápida (excesso de mortalidade estimado por modelagem epidemiológica), e não de um boletim policial ou hospitalar único — uma metodologia padrão em coberturas de onda de calor, mas que exige transparência sobre sua natureza estimativa. A concentração de 88% das mortes em pessoas acima de 65 anos confirma que o calor extremo é, antes de tudo, uma crise de proteção a populações vulneráveis isoladas.
Para municípios brasileiros — onde ondas de calor já provocam recordes de temperatura em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro —, a lição de governança é montar, com antecedência, um cadastro ativo de idosos que vivem sós ou em situação de vulnerabilidade térmica (sem ventilação, sem climatização, em áreas de maior ilha de calor urbano), acionável por equipes de saúde e assistência social sempre que a previsão indicar dias consecutivos de calor extremo — e não esperar por óbitos para agir. Abrir espaços públicos climatizados (“centros de resfriamento”) durante picos de calor e emitir alertas específicos para grupos de risco, como já fazem cidades europeias, é uma medida de baixo custo e alto impacto que qualquer defesa civil municipal pode planejar hoje.
“A enchente mata na hora; o calor extremo mata devagar, sozinho, dentro de casa — e é por isso que a estatística demora semanas para contar a verdade.”
Fontes
- Agência Brasil — “Junho registra duas ondas de calor e o triplo de mortes na Europa” — 09/07/2025 — https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-07/junho-registra-duas-ondas-de-calor-e-o-triplo-de-mortes-na-europa
- Observatório do Clima — “Com temperaturas recorde, onda de calor na Europa tem oito mortos e temperaturas recorde” — https://oc.eco.br/onda-de-calor-na-europa-tem-oito-mortos-e-temperaturas-recorde/
- WMO (Organização Meteorológica Mundial) — “Records fall as extreme heat grips Europe” — https://wmo.int/media/news/records-fall-extreme-heat-grips-europe
- Diario de Cuyo — síntese com balanço consolidado de ~2.300 mortes — https://www.diariodecuyo.com.ar/edicionimpresa/europa-el-calor-ya-causo-unas-2-300-muertes-1747916.html