O furacão categoria 5 mais precoce da história: como Beryl devastou ilhas do Caribe antes mesmo de chegar aos EUA
Foto: Maxar Technologies — da matéria da CBS News O furacão Beryl se formou no fim de junho de 2024 e, em 2 de julho, atingiu ventos de 270 km/h — tornando-se o furacão categoria 5 mais precoce já registrado na história da temporada de furacões do Atlântico. No caminho, o sistema arrasou as pequenas […]
08 JUL 2024

Foto: Maxar Technologies — da matéria da CBS News
O furacão Beryl se formou no fim de junho de 2024 e, em 2 de julho, atingiu ventos de 270 km/h — tornando-se o furacão categoria 5 mais precoce já registrado na história da temporada de furacões do Atlântico. No caminho, o sistema arrasou as pequenas ilhas de Carriacou e Petite Martinique, em Granada, e depois São Vicente e Granadinas, antes de atravessar o Caribe e finalmente tocar o solo nos Estados Unidos, em Matagorda, no Texas, em 8 de julho de 2024. O balanço final somou 73 mortos: 48 nos Estados Unidos, 8 em São Vicente e Granadinas, 6 em Granada e 6 na Venezuela. Em Carriacou, 99% dos edifícios ficaram danificados ou destruídos; em Petite Martinique, o índice foi de 70%.
A escala da destruição nas pequenas ilhas caribenhas foi descrita em termos que raramente aparecem em boletins oficiais. “Praticamente todo dano ou destruição de todos os edifícios, sejam eles prédios públicos, casas ou outras instalações privadas. Devastação e destruição completas da agricultura”, declarou o primeiro-ministro de Granada, Dickon Mitchell, em 2 de julho de 2024, ao descrever a situação em Carriacou. “Não há literalmente nenhuma vegetação restante em nenhum lugar da ilha”, completou. Em São Vicente e Granadinas, o primeiro-ministro Ralph Gonsalves classificou a ilha de Union como “um campo de devastação”, afirmando que “é apenas o prédio ocasional que não está severamente danificado ou destruído” — mais de 90% das casas de Union Island, Mayreau e Canouan foram danificadas ou destruídas, com perdas de US$ 231 milhões, equivalentes a 22% do PIB do país.
O contraste entre o impacto de Beryl no Caribe e nos Estados Unidos ilustra uma lição central de governança para municípios brasileiros: o mesmo furacão que devastou 22% do PIB de uma nação inteira, em ilhas de poucos milhares de habitantes, foi absorvido — com perdas humanas e materiais reais, mas proporcionalmente muito menores — por uma das maiores economias do mundo ao chegar ao Texas. Municípios pequenos e de orçamento limitado, especialmente os mais dependentes de uma única atividade econômica, enfrentam exatamente esse tipo de vulnerabilidade fiscal desproporcional diante de desastres: um único evento climático extremo pode consumir, em poucas horas, uma fração do PIB local equivalente a décadas de investimento público. Fundos de contingência, seguros paramétricos e planos de mutirão regional entre municípios vizinhos são ferramentas que reduzem esse risco concentrado — e que fazem tanto mais sentido quanto menor e mais dependente de poucos setores for a economia local.
“Não há literalmente nenhuma vegetação restante em nenhum lugar da ilha” — Dickon Mitchell, primeiro-ministro de Granada, descrevendo a devastação completa causada pelo furacão Beryl na ilha de Carriacou.”
Fontes
- CBS News — “Hurricane Beryl leaves ‘Armageddon-like’ destruction in Grenada, ‘field of devastation’ on Union Island, Caribbean leaders say” — 03/07/2024 — https://www.cbsnews.com/news/hurricane-beryl-grenada-destruction-communication-system-destroyed/
- AccuWeather — “Beryl’s fury turns deadly, leaves millions in the dark across Texas” — 2024 — https://www.accuweather.com/en/hurricane/beryls-fury-turns-deadly-leaves-millions-in-the-dark-across-texas/1667762
- NOAA/National Hurricane Center — “Tropical Cyclone Report — Hurricane Beryl (AL022024)” — 2024 — https://www.nhc.noaa.gov/data/tcr/AL022024_Beryl.pdf