Um terremoto de magnitude 7,6 na tarde de Ano Novo: os 240 mortos que abriram 2024 no Japão
Foto: Buddhika Weerasinghe/Getty Images — da matéria do Metrópoles Às 16h10 (horário local) de 1º de janeiro de 2024 — dia de Ano Novo, feriado nacional no Japão —, um terremoto de magnitude 7,6 atingiu a Península de Noto, na prefeitura de Ishikawa, com epicentro a apenas 6 km de Suzu. Foi o maior tremor […]
01 JAN 2024

Foto: Buddhika Weerasinghe/Getty Images — da matéria do Metrópoles
Às 16h10 (horário local) de 1º de janeiro de 2024 — dia de Ano Novo, feriado nacional no Japão —, um terremoto de magnitude 7,6 atingiu a Península de Noto, na prefeitura de Ishikawa, com epicentro a apenas 6 km de Suzu. Foi o maior tremor a atingir o Japão continental desde o megaterremoto de Tohoku, em 2011. O sismo gerou um tsunami de até 11,3 metros de altura em Wajima, que inundou áreas portuárias e chegou a ser sentido, em ondas menores, na Coreia do Sul e na Rússia em menos de um minuto. O balanço final, somando mortes diretas e óbitos posteriormente reconhecidos como relacionados ao desastre — pessoas que morreram em abrigos por frio ou más condições sanitárias nas semanas seguintes —, ultrapassou 240 vítimas fatais, com mais de 1.400 feridos e 62 mil pessoas sob ordem de evacuação.
A escala da destruição material foi descrita pelo próprio governador de Ishikawa, Hiroshi Hase, que relatou que o tsunami “inundou a área do porto de Iida em até 100 metros para o interior” e que o terremoto produziu “ao menos 2,4 milhões de toneladas de resíduos”. Ao todo, 204.903 edificações foram danificadas ou destruídas em nove prefeituras — somente em Ishikawa foram 155.160 estruturas atingidas, 24.891 delas destruídas ou parcialmente destruídas; na cidade de Suzu, cerca de 90% de todas as edificações sofreram algum dano. Com boa parte do funcionalismo público e das equipes de emergência dispensada para o feriado de Ano Novo, o governo japonês mobilizou inicialmente 1.000 militares das Forças de Autodefesa para os resgates, com outros 8.500 mantidos de prontidão — um reforço rápido que expôs o desafio de escalar uma resposta de emergência em pleno feriado nacional. Nos primeiros dias, o próprio governador resumiu o ritmo da operação: “Estamos numa corrida contra o tempo e continuaremos a fazer o nosso melhor para salvar vidas.”
Para gestores municipais brasileiros, o episódio ilustra um risco frequentemente subestimado nos planos de contingência: desastres não respeitam calendário, e feriados prolongados — Ano Novo, Carnaval, Natal — são justamente os momentos em que efetivos de defesa civil, corpos de bombeiros e equipes de saúde operam com plantões reduzidos. A lição prática é dupla: primeiro, todo plano municipal de contingência para eventos de grande escala (terremotos não são risco relevante no Brasil, mas enchentes, deslizamentos e temporais de verão, sim) precisa prever explicitamente um protocolo de convocação emergencial de reforços durante feriados, com cadeia de acionamento testada previamente — não desenhada às pressas no dia do desastre. Segundo, a experiência japonesa de usar as Forças Armadas como reforço logístico imediato (não apenas para segurança, mas para resgate, transporte e distribuição de suprimentos) é um modelo replicável em convênios municipais e estaduais com as Forças Armadas brasileiras para emergências que ultrapassem a capacidade local nas primeiras 48 horas — janela em que a maioria das vidas é salva ou perdida.
“Estamos numa corrida contra o tempo e continuaremos a fazer o nosso melhor para salvar vidas — a declaração do governador de Ishikawa, Hiroshi Hase, nos primeiros dias após o terremoto de magnitude 7,6 que atingiu a Península de Noto na tarde de Ano Novo de 2024, resume a urgência de uma resposta emergencial montada em pleno feriado nacional, com mais de 240 mortos e 204,9 mil edificações danificadas.”
Fontes
- Metrópoles — “Terremoto no Japão: autoridades confirmam pelo menos 57 mortos” — 02/01/2024 — https://www.metropoles.com/mundo/terremoto-no-japao-mortos
- CNN Brasil — “Número de mortos no terremoto no Japão passa de 100; mais de 200 estão desaparecidos” — 06/01/2024 — https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/numero-de-mortos-no-terremoto-no-japao-passa-de-100-mais-de-200-estao-desaparecidos/
- Público (Portugal) — “Autoridades elevam balanço de terramoto no Japão para mais de 120 mortos” — 06/01/2024 — https://www.publico.pt/2024/01/06/mundo/noticia/autoregidades-elevam-balanco-terramoto-japao-100-mortos-2075924