12 mortes em uma madrugada: como um recorde histórico de chuva alagou a Baixada Fluminense na virada de 2024
Foto: Fabio Teixeira/Anadolu via Getty Images — da matéria do Metrópoles Na noite de sábado, 13 de janeiro, para a madrugada de domingo, 14 de janeiro de 2024, uma chuva torrencial varreu a Grande Rio e deixou 12 mortos em questão de horas: três na capital, três em Nova Iguaçu, dois em Duque de Caxias, […]
14 JAN 2024
Foto: Fabio Teixeira/Anadolu via Getty Images — da matéria do Metrópoles
Na noite de sábado, 13 de janeiro, para a madrugada de domingo, 14 de janeiro de 2024, uma chuva torrencial varreu a Grande Rio e deixou 12 mortos em questão de horas: três na capital, três em Nova Iguaçu, dois em Duque de Caxias, dois em São João de Meriti, um em Belford Roxo e um em Chapadão. O pluviômetro de Anchieta, na zona norte do Rio, registrou 259,2 mm — mais do que a média histórica para todo o mês de janeiro na cidade — enquanto Niterói somou 120 mm em 24 horas. Só na capital, a Defesa Civil contabilizou 230 ocorrências ligadas à chuva em um único dia, entre alagamentos, deslizamentos e quedas de árvore.
O prefeito de Niterói, Axel Grael, resumiu a excepcionalidade do episódio: “Desde que começamos a instalar pluviômetros em Niterói, em 2013, nunca havíamos registrado uma chuva tão intensa.” O governador Cláudio Castro confirmou o balanço de 12 vítimas e determinou reforço das equipes estaduais para evitar novas mortes, enquanto o secretário de Defesa Civil do estado, Leandro Monteiro, confirmou a localização do corpo de uma motorista que havia desaparecido após seu carro cair no rio Botas, entre Nova Iguaçu e Belford Roxo. Já na capital, o prefeito Eduardo Paes decretou situação de emergência e apelou diretamente à população: “Não fiquem passando em áreas alagadas, coloca a sua vida em risco, atrapalha os agentes públicos” — um pedido que expôs o quanto a resposta ainda dependia do comportamento individual dos moradores, e não de barreiras físicas ou alertas automatizados capazes de impedir a travessia de vias alagadas.
A lição de governança para prefeituras de regiões metropolitanas densamente urbanizadas como a Baixada Fluminense é dupla. Primeiro, pluviômetros como o de Niterói só cumprem sua função de alerta se estiverem acoplados a gatilhos automáticos de resposta — como o fechamento preventivo de vias historicamente alagáveis e o disparo de SMS/WhatsApp em massa quando a chuva acumulada em uma hora ultrapassa um percentual do recorde histórico local, e não apenas quando o pico já foi atingido. Segundo, como o desastre atingiu simultaneamente seis municípios distintos, sem um comando metropolitano único de defesa civil, cada prefeitura reagiu de forma isolada e com velocidade desigual: um protocolo de cooperação regional pré-acordado entre os municípios da Baixada — com compartilhamento de equipes de resgate e leitos de emergência — teria reduzido o tempo de resposta nas primeiras horas críticas, quando a maioria das mortes por afogamento e soterramento ocorre.
“Desde que começamos a instalar pluviômetros em Niterói, em 2013, nunca havíamos registrado uma chuva tão intensa” — frase do prefeito Axel Grael que resume o caráter inédito do temporal: não foi falta de monitoramento que matou 12 pessoas na Baixada Fluminense, foi a ausência de um gatilho automático de resposta a um recorde histórico em tempo real”
Fontes
- Metrópoles — “Número de mortos pelas chuvas no Rio de Janeiro sobe para 12” — 15/01/2024 — https://www.metropoles.com/brasil/numero-de-mortos-pelas-chuvas-no-rio-de-janeiro-sobe-para-12
- Público — “Chuvas torrenciais no Rio de Janeiro fazem pelo menos 11 mortos” — 15/01/2024 — https://www.publico.pt/2024/01/15/mundo/noticia/chuvas-torrenciais-rio-janeiro-fazem-menos-11-mortos-2076826
- ClimaInfo — “Tempestade causa inundações e deixa 11 mortos no Rio de Janeiro” — 15/01/2024 — https://climainfo.org.br/2024/01/15/tempestade-causa-inundacoes-e-deixa-11-mortos-no-rio-de-janeiro/