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Internacional

A terceira emergência nacional da história: como a Nova Zelândia respondeu ao pior verão climático em décadas

Foto: RNZ — da matéria da RNZ O verão de 2023 foi o mais destrutivo da história recente da Nova Zelândia. Em 27 de janeiro, chuvas recordes sobre a região metropolitana de Auckland deixaram 4 mortos nas enxurradas do chamado “Auckland Anniversary Weekend”. Menos de três semanas depois, na noite de 13 para 14 de […]

14 FEV 2023
A terceira emergência nacional da história: como a Nova Zelândia respondeu ao pior verão climático em décadas
Casas danificadas por enchentes no Esk Valley, Hawke's Bay, Nova Zelândia

Foto: RNZ — da matéria da RNZ

O verão de 2023 foi o mais destrutivo da história recente da Nova Zelândia. Em 27 de janeiro, chuvas recordes sobre a região metropolitana de Auckland deixaram 4 mortos nas enxurradas do chamado “Auckland Anniversary Weekend”. Menos de três semanas depois, na noite de 13 para 14 de fevereiro, o Ciclone Gabrielle atingiu a Ilha Norte com força ainda maior, castigando principalmente as regiões de Hawke’s Bay, Gisborne, Coromandel e Northland, e deixando mais 11 mortos — entre eles uma criança de 2 anos em Esk Valley. Somados, os dois eventos mataram 15 pessoas e deixaram mais de 10 mil desabrigados em poucas semanas. Diante da escala do desastre, o governo neozelandês declarou estado de emergência nacional em 14 de fevereiro — apenas a terceira vez na história do país, depois do terremoto de Christchurch em 2011 e da pandemia de covid-19.

A dimensão humana da tragédia apareceu nos relatos das famílias das vítimas. Chris Coates, filho de John Coates, morto no Ciclone Gabrielle, descreveu o momento em que a água tomou conta da propriedade da família: “It was like a tsunami of water” (“Foi como um tsunami de água”). Já Craig Newth, pai de Daniel Newth, uma das quatro vítimas das enchentes de Auckland semanas antes, relatou à imprensa neozelandesa a força da correnteza que arrastou o filho: “He went down the road and it was too powerful, the water, and it swept him away, down underneath the culverts. He didn’t make it. He drowned.” Enquanto as famílias enterravam seus mortos, o governo central mantinha comunicação constante com a população — declarações formais de emergência regional já haviam sido feitas em Gisborne, Bay of Plenty e Waikato no dia 13, um dia antes da declaração nacional, sinalizando escalonamento rápido e transparente da resposta institucional.

O caso neozelandês interessa à governança brasileira não pelo tamanho da tragédia, mas pela qualidade da resposta depois que ela aconteceu. Em vez de minimizar a gravidade do evento ou esperar a pressão pública crescer, as autoridades formalizaram o estado de emergência em escala regional e, na sequência, nacional — um mecanismo que destrava recursos, centraliza a coordenação entre agências e sinaliza à população, com clareza, que o poder público reconhece a gravidade do momento. Para prefeituras brasileiras, a lição não é sobre prevenir o imprevisível, mas sobre como comunicar e coordenar quando o desastre já está em curso: decretar estado de emergência ou calamidade pública no tempo certo, sem demora política, é parte da governança tanto quanto qualquer obra de prevenção.

“It was like a tsunami of water” — Chris Coates, filho de vítima do Ciclone Gabrielle”

Fontes

  • RNZ — “Cyclone Gabrielle: Who are the 11 victims?” — 20/02/2023 — https://www.rnz.co.nz/news/national/484536/cyclone-gabrielle-who-are-the-11-victims
  • RNZ — “Auckland flood victims: The four people killed in extreme and unprecedented weather event” — 31/01/2023 — https://www.rnz.co.nz/news/national/483404/auckland-flood-victims-the-four-people-killed-in-extreme-and-unprecedented-weather-event
  • CNN Brasil — “Ciclone Gabrielle deixa pelo menos 11 pessoas mortas na Nova Zelândia” — 19/02/2023 — https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/ciclone-gabrielle-deixa-pelo-menos-11-pessoas-mortas-na-nova-zelandia/