Um raio caiu dentro do parque, mas o fogo se espalhou fora dele: o pior novembro já registrado no Pantanal
Foto: Amanda Perobelli/Reuters/Folhapress — da matéria do site (o)eco Novembro de 2023 se tornou o pior mês de novembro já registrado no Pantanal desde que o INPE começou a série histórica de monitoramento de queimadas, em 1998. Até o dia 23 daquele mês, o instituto havia contabilizado 4.098 focos de calor nos biomas de Mato […]
23 NOV 2023

Foto: Amanda Perobelli/Reuters/Folhapress — da matéria do site (o)eco
Novembro de 2023 se tornou o pior mês de novembro já registrado no Pantanal desde que o INPE começou a série histórica de monitoramento de queimadas, em 1998. Até o dia 23 daquele mês, o instituto havia contabilizado 4.098 focos de calor nos biomas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul — um salto descomunal frente aos 20 focos de novembro de 2018 e aos 778 de novembro de 2020. O fogo consumiu mais de 260 mil hectares no período, atingindo inclusive o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, unidade de conservação federal, e a região turística da Transpantaneira, com forte mortandade de fauna silvestre documentada por reportagens fotográficas da época.
Segundo o ICMBio, o incêndio dentro do parque teve origem natural: um raio caiu sobre a vegetação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, e a chama, isoladamente, teria ficado restrita à unidade de conservação. O problema, segundo apurou o Fórum Matogrossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), foi o que aconteceu depois. “Independentemente de o fogo ter sido originado por causas naturais, ele só se espalhou […] porque não foi contido dentro das fazendas”, afirmou Herman Oliveira, secretário-executivo do Formad, apontando diretamente para a falta de contenção do fogo em propriedades rurais vizinhas ao parque. O presidente do ICMBio, Mauro Pires, reconheceu a gravidade do momento: “estamos com aeronaves, estamos com helicópteros […] é uma situação crítica, mas as medidas foram tomadas.”
O episódio expõe uma falha de governança que vai além do fenômeno climático: um foco de incêndio de causa natural, impossível de evitar, só se transforma em desastre de escala recorde quando falta fiscalização fundiária e capacidade de contenção nas propriedades privadas do entorno de áreas protegidas. Para municípios e estados com fronteira agropecuária avançando sobre biomas sensíveis como o Pantanal, a lição de 2023 é dupla: de um lado, investir em brigadas de incêndio comunitárias e rurais capazes de agir nas primeiras horas após um foco ser identificado; de outro, cobrar de proprietários rurais aceiros, faixas de segurança e planos de prevenção como parte da fiscalização ambiental municipal e estadual — antes que o próximo raio caia.
“‘Independentemente de o fogo ter sido originado por causas naturais, ele só se espalhou […] porque não foi contido dentro das fazendas’ — Herman Oliveira, secretário-executivo do Fórum Matogrossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), sobre por que um raio dentro do parque virou o pior novembro de incêndios já registrado no Pantanal”
Fontes
- Agência Brasil — “Pantanal tem mais de 3 mil incêndios em novembro, recorde histórico” — 23/11/2023 — https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-11/pantanal-tem-mais-de-3-mil-incendios-em-novembro-recorde-historico
- (o)eco — “Com 4 mil focos de queimadas, Pantanal tem pior novembro da série histórica” — 23/11/2023 — https://oeco.org.br/reportagens/com-4-mil-focos-de-queimadas-pantanal-tem-pior-novembro-da-serie-historica/
- WWF Brasil — “Pantanal tem recorde de incêndios nos primeiros 20 dias de novembro” — 2023 — https://www.wwf.org.br/?87280%2FPantanal-tem-recorde-de-incendios-nos-primeiros-20-dias-de-novembro=