Furacão Ian, o mais custoso da história da Flórida, expõe falhas em ordens de evacuação e na rede elétrica costeira
Foto: Reuters/Steve Nesius — da matéria da Agência Brasil O furacão Ian tocou o solo americano em 28 de setembro de 2022, às 19h05 UTC, na região de Cayo Costa, no sudoeste da Flórida, com ventos sustentados de 240 km/h — um dia depois de já ter varrido o oeste de Cuba, deixando a ilha […]
28 SET 2022

Foto: Reuters/Steve Nesius — da matéria da Agência Brasil
O furacão Ian tocou o solo americano em 28 de setembro de 2022, às 19h05 UTC, na região de Cayo Costa, no sudoeste da Flórida, com ventos sustentados de 240 km/h — um dia depois de já ter varrido o oeste de Cuba, deixando a ilha inteira sem eletricidade. Cidades como Fort Myers, Cape Coral e Naples foram as mais atingidas antes de a tempestade seguir para Geórgia e Carolinas. Já nos primeiros dias, cerca de 2,6 milhões de pessoas — um quarto da população do estado — ficaram sem energia elétrica, segundo reportagem do Observador. Balanços preliminares em 28 de setembro já contabilizavam ao menos 17 mortos somente na Flórida, número que subiria rapidamente nos dias seguintes; o balanço final do episódio chegaria a 161 mortos — 5 em Cuba, 150 na Flórida, 5 na Carolina do Norte e 1 na Virgínia —, tornando o Ian o furacão mais letal a atingir os Estados Unidos desde 1935, conforme aponta a ClimaInfo. Os prejuízos, estimados pela agência americana NOAA em US$ 112 bilhões, fizeram do Ian o furacão mais custoso da história da Flórida e o terceiro mais custoso já registrado nos Estados Unidos.
O governador da Flórida, Ron DeSantis, resumiu a magnitude do fenômeno em coletiva durante a passagem da tempestade: “nunca vimos tempestades dessa magnitude… é basicamente um evento de inundação de 500 anos”. No auge da inundação, ele alertou que a situação continuava se agravando: “a quantidade de água está aumentando, e provavelmente continuará aumentando hoje”. A frase captou o que viria a se tornar um dos pontos mais debatidos do pós-desastre: em alguns condados da Flórida, as ordens de evacuação obrigatória foram emitidas tardiamente, deixando moradores com uma janela curta demais para deixar áreas de risco antes da chegada da tempestade — um fator que, segundo análises posteriores da imprensa americana, ajuda a explicar por que o número de mortos no estado foi tão elevado mesmo com dias de antecedência no rastreamento meteorológico do furacão.
Para gestores públicos brasileiros responsáveis por planos de contingência em áreas costeiras e ribeirinhas, o caso do furacão Ian carrega duas lições concretas: primeiro, que a antecedência da previsão meteorológica só salva vidas se a ordem de evacuação for emitida e comunicada com folga suficiente — atrasar a decisão por receio de alarme falso tem custo humano mensurável; segundo, que a resiliência da rede elétrica em áreas costeiras (cabeamento subterrâneo, poda preventiva, redundância de subestações) precisa ser tratada como item de defesa civil, não apenas de concessionária, já que o apagão prolongado agrava diretamente a capacidade de resposta a emergências, comunicação com a população e funcionamento de hospitais e abrigos.
“Nunca vimos tempestades dessa magnitude… é basicamente um evento de inundação de 500 anos — Ron DeSantis, governador da Flórida”
Fontes
- Agência Brasil — “Furacão Ian deixou mais de 80 mortos nos Estados Unidos” — outubro/2022 — https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2022-10/furacao-ian-deixou-mais-de-80-mortos-nos-estados-unidos
- Observador — “Furacão Ian deixa toda a ilha de Cuba sem eletricidade” — 28/09/2022 — https://observador.pt/2022/09/28/furacao-ian-deixa-toda-a-ilha-de-cuba-sem-eletricidade/
- ClimaInfo — “Uma tempestade histórica: Ian causa destruição na Flórida e avança sobre os EUA” — 29/09/2022 — https://climainfo.org.br/2022/09/29/uma-tempestade-historica-ian-causa-destruicao-na-florida-e-avanca-sobre-os-eua/
- Wikipédia — “Hurricane Ian” — https://en.wikipedia.org/wiki/Hurricane_Ian