Enchentes matam 435 em Durban e expõem décadas de abandono de favelas em encostas na África do Sul
Foto: Maxar Technologies/Handout via Reuters — da matéria da TimesLIVE Entre 8 e 13 de abril de 2022, com pico em 11-12 de abril, a província de KwaZulu-Natal, na África do Sul, viveu uma das piores catástrofes climáticas de sua história recente. O balanço de mortos subiu com uma velocidade assustadora: 59 confirmadas em 13 […]
12 ABR 2022

Foto: Maxar Technologies/Handout via Reuters — da matéria da TimesLIVE
Entre 8 e 13 de abril de 2022, com pico em 11-12 de abril, a província de KwaZulu-Natal, na África do Sul, viveu uma das piores catástrofes climáticas de sua história recente. O balanço de mortos subiu com uma velocidade assustadora: 59 confirmadas em 13 de abril, entre 395 e 450 no pico da crise dias depois, até ser fixado em 435 mortos em revisão final de 21 de abril, segundo a Wikipedia (en). As chuvas — 450 mm nas áreas costeiras e 304 mm em 24 horas registrados no Aeroporto Virginia — destruíram completamente 3.927 casas, danificaram parcialmente outras 8.097 e atingiram entre 2.000 e 4.000 moradias informais (shacks), num total de 13.500 domicílios afetados. O custo estimado do desastre chegou a R$ 17 bilhões de rands (cerca de US$ 1,57 bilhão). Cerca de 300 escolas foram danificadas e 500 fechadas, entre 400 e 500 torres de telefonia celular ficaram fora do ar e as operações do porto de Durban, um dos maiores da África, foram suspensas.
Em discurso de Sexta-feira Santa, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa não hesitou em nomear a escala da tragédia: as enchentes foram uma “catástrofe de proporções enormes”, disse, segundo cobertura da TimesLIVE. O premiê de KwaZulu-Natal, Sihle Zikalala, detalhou o alcance do desastre sobre a habitação informal: “pelo menos 2 mil casas e 4 mil moradias informais foram danificadas ou destruídas”. Um estudo posterior da Wits University, citado pela World Weather Attribution, atribuiu diretamente a intensidade extrema das chuvas às mudanças climáticas — confirmando que o evento não foi um acaso isolado, mas parte de um padrão que tende a se repetir e se intensificar.
Os assentamentos informais construídos em encostas íngremes e várzeas urbanas de Durban, historicamente ignorados pelo planejamento urbano municipal, concentraram a maior parte das mortes. É um padrão que se repete em qualquer geografia onde a ocupação irregular de área de risco avança mais rápido que a política pública de habitação e prevenção — inclusive em periferias brasileiras. A lição de governança para municípios costeiros e de encosta no Brasil é clara: adaptação climática não pode ser tratada só como resposta emergencial pós-desastre. Ela precisa estar dentro do planejamento de uso do solo, com mapeamento de risco atualizado, política habitacional que ofereça alternativa real de moradia fora das áreas mais expostas e investimento contínuo em drenagem — antes que a próxima chuva recorde chegue.
“Catástrofe de proporções enormes — Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, em discurso de Sexta-feira Santa sobre as enchentes de KwaZulu-Natal”
Fontes
- Wikipedia (EN) — “2022 KwaZulu-Natal floods” — 2022 — https://en.wikipedia.org/wiki/2022_KwaZulu-Natal_floods
- TimesLIVE — “KZN flood updates | Flood disaster in KZN a ‘catastrophe of enormous proportions’: Ramaphosa says in Good Friday church address” — 14-15/04/2022 — https://www.timeslive.co.za/news/south-africa/2022-04-14-kzn-flood-updates-aerial-footage-shows-severe-devastation-from-kzn-floods/
- World Weather Attribution — “Climate change-exacerbated rainfall causing devastating flooding in Eastern South Africa” — 2022 — https://www.worldweatherattribution.org/climate-change-exacerbated-rainfall-causing-devastating-flooding-in-eastern-south-africa/
- News24 Special Projects — “The Deadliest Storm: When disaster struck in KZN” — 2022 — https://specialprojects.news24.com/the-deadliest-storm/index.html