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Internacional

135 milhões de pessoas sob calor extremo na Europa: quando “verão quente” já não é a categoria certa

Foto: Slvpro — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado Na semana de 13 de agosto, uma nova onda de calor extremo voltou a cobrir a Europa: Londres registrou 38,1°C — o dia mais quente do ano no Reino Unido —, Paris chegou a 38°C, o centro da Espanha marcou 37°C e a Itália enfrentava […]

14 AGO 2026
135 milhões de pessoas sob calor extremo na Europa: quando “verão quente” já não é a categoria certa
Homem caminhando em paisagem desértica sob sol intenso

Foto: Slvpro — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

Na semana de 13 de agosto, uma nova onda de calor extremo voltou a cobrir a Europa: Londres registrou 38,1°C — o dia mais quente do ano no Reino Unido —, Paris chegou a 38°C, o centro da Espanha marcou 37°C e a Itália enfrentava temperaturas na mesma faixa. No total, mais de 135 milhões de pessoas em todo o continente estavam sob temperaturas acima de 35°C, incluindo cerca de 29 milhões de italianos e 25 milhões de espanhóis. A França colocou grande parte do país em alerta de onda de calor, e a imprensa europeia já falava em “milhares de mortes” acumuladas ao longo do verão de 2026 — sem um número fechado, porque a contagem de óbitos por calor extremo, diferente de uma enchente ou um terremoto, só se consolida semanas depois, por excesso de mortalidade.

Essa onda não veio isolada: ela é a mesma massa de ar que alimentou o incêndio de Halkidiki, na Grécia, e o incêndio da New Forest, no Reino Unido, ambos ativos na mesma janela. É também a quarta ou quinta onda de calor significativa que a Europa enfrenta desde julho — um padrão de repetição que a imprensa já rotula como “verão de incêndios”, reconhecendo que calor extremo recorrente deixou de ser evento isolado para virar condição de fundo da estação.

O que essa reincidência expõe é uma lacuna estrutural na governança do calor: diferente de enchente ou incêndio, que têm sistemas de alerta, abrigo e resposta bem estabelecidos em quase todo país desenvolvido, calor extremo raramente aciona a mesma máquina institucional — mesmo matando, ao longo de uma temporada, mais pessoas do que a maioria dos desastres súbitos. A Organização Mundial da Saúde já estimou 15 mil mortes por calor na Europa em um único ano recente; sem um sistema de contagem em tempo real e um protocolo declarado de “desastre por calor” — como a Coreia do Sul adotou em 2026 — cada onda se repete como se fosse a primeira, sem que a resposta institucional acumule aprendizado de uma para a outra.

“Enchente tem sirene, incêndio tem rota de fuga. Calor extremo, que mata mais que os dois, ainda espera por um sistema à altura.”

Fontes

  • Al Jazeera — “Europe swelters in latest wave of extreme heat” — 13/08/2026 — https://www.aljazeera.com/news/2026/8/13/europe-swelters-in-latest-wave-of-extreme-heat
  • Euronews — “‘Wall of fire’ forces sea evacuation in Greece as wildfires continue across Europe” — 14/08/2026 — https://www.euronews.com/my-europe/2026/08/14/wall-of-fire-forces-sea-evacuation-in-greece-as-wildfires-continue-across-europe