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Internacional

Paquistão: 97 mortos em um mês de monção — por desabamento, eletrocussão e enxurrada, não por um grande evento

No domingo, 26 de julho, o balanço oficial da monção paquistanesa chegou a 97 mortos e 297 feridos desde 26 de junho — 11 das mortes apenas nas 24 horas anteriores —, segundo os números da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres (NDMA) divulgados pela Xinhua. A escalada foi acompanhada ao longo da semana: 72 […]

26 JUL 2026
Paquistão: 97 mortos em um mês de monção — por desabamento, eletrocussão e enxurrada, não por um grande evento
Rua alagada em Karachi durante a monção

No domingo, 26 de julho, o balanço oficial da monção paquistanesa chegou a 97 mortos e 297 feridos desde 26 de junho — 11 das mortes apenas nas 24 horas anteriores —, segundo os números da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres (NDMA) divulgados pela Xinhua. A escalada foi acompanhada ao longo da semana: 72 mortos na quarta-feira 22, conforme o Pakistan Today, e 86 na sexta, segundo o Arab News — com Khyber Pakhtunkhwa e Punjab concentrando a letalidade, 447 casas danificadas e 269 cabeças de gado perdidas. A NDMA instou os moradores de áreas vulneráveis a “permanecer vigilantes e seguir as orientações oficiais de segurança”, com novas chuvas fortes previstas a partir de 29 de julho.

Olhe para as causas listadas nos boletins: desabamento de casas, eletrocussão, enxurradas e afogamentos. Não houve um grande rompimento, uma cheia histórica única, um evento com nome — houve um mês de chuva sobre estruturas frágeis, matando aos poucos, em dezenas de lugares diferentes. É a monção como desastre difuso: nenhum dia rende manchete internacional, e o mês inteiro soma quase cem vidas.

Contra esse padrão, as ferramentas clássicas — o grande alerta, a grande evacuação — pouco alcançam. O que reduz a conta são políticas de miúdo repetido: fiscalização e melhoria de moradias precárias (a casa que desaba já era identificável antes da chuva), desligamento preventivo de redes elétricas em áreas alagadas (a eletrocussão urbana é morte de infraestrutura, não de clima), boletins diários padronizados por província — que o Paquistão publica, criando série histórica e responsabilidade — e a cultura de pausar entre um pulso e outro para reforçar o ponto fraco antes da próxima rodada.

Para o Brasil da estação chuvosa, que também mata aos poucos — um muro aqui, um córrego ali, um choque acolá —, a monção paquistanesa é espelho: a soma dos dias comuns é o desastre. E ela se combate no dia comum.

“Quase cem mortos sem nenhuma manchete única: o desastre difuso se combate no dia comum, não no dia D.”

Fontes

  • Xinhua — “Pakistan’s monsoon death toll nears 100 after fresh rain-related fatalities” — 26/07/2026 — https://english.news.cn/asiapacific/20260726/f43b8f7a1cac410e82fcc7adce5234d1/c.html
  • Pakistan Today — “Pakistan Monsoon Toll Hits 72 as Punjab, KP Flood Risk Grows” — 22/07/2026 — https://www.pakistantoday.com.pk/2026/07/22/nationwide-monsoon-death-toll-climbs-to-72-as-relentless-rains-batter-punjab-kp
  • Arab News — “Pakistan monsoon death toll rises to 86 as more heavy rain forecast” — 25-26/07/2026 — https://www.arabnews.com/node/2652178/amp