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Brasil

5.750 raios em 2h30: Campo Grande tem o junho mais chuvoso da década em meio a tempestades elétricas recordes

Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado — da matéria do Correio do Estado Campo Grande acumulou 118,4 mm de chuva nos primeiros 15 dias de junho de 2026 — o triplo da média mensal esperada (37,7 mm) —, o maior volume de junho desde 2022 e o segundo maior da década, segundo o Correio do Estado, […]

15 JUN 2026
5.750 raios em 2h30: Campo Grande tem o junho mais chuvoso da década em meio a tempestades elétricas recordes
Chuva forte em Campo Grande, Mato Grosso do Sul

Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado — da matéria do Correio do Estado

Campo Grande acumulou 118,4 mm de chuva nos primeiros 15 dias de junho de 2026 — o triplo da média mensal esperada (37,7 mm) —, o maior volume de junho desde 2022 e o segundo maior da década, segundo o Correio do Estado, com estimativas do meteorologista Natálio Abrão. Em 12-13 de junho, o córrego Anhanduizinho registrou 97,8 mm e a região do Shopping Norte Sul Plaza, 85,4 mm. Mas o dado mais revelador da matéria não é pluviométrico: no dia de maior intensidade do temporal, a capital sul-mato-grossense registrou 5.750 raios em 2 horas e 30 minutos — a maior atividade elétrica do ano até então. No mesmo período, Dourados (MS) registrou 54,8 mm em um único dia, o segundo maior volume do Brasil naquela data, segundo a Agência de Notícias do Governo de MS.

A contagem de raios por hora é uma métrica de risco frequentemente ausente dos boletins municipais de defesa civil, apesar de o Brasil ser o país que mais registra descargas atmosféricas no mundo. Enquanto o volume de chuva acumulado informa risco de enchente e alagamento, a densidade de raios por unidade de tempo informa um risco completamente distinto: eletrocussão de pessoas ao ar livre, incêndios por descarga em vegetação seca, queima de transformadores e equipamentos elétricos, e interrupção de energia em hospitais e serviços essenciais. Uma tempestade pode ter volume de chuva moderado e ainda assim ser extremamente perigosa pela intensidade elétrica — e o inverso também é possível.

Para o gestor municipal, sobretudo em regiões do Centro-Oeste e do interior do país onde a atividade elétrica de tempestades de verão costuma ser intensa, a lição de Campo Grande é sobre instrumentação: poucos municípios brasileiros monitoram e divulgam a densidade de raios em tempo real, apesar de o dado já existir — a Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas (RINDAT) e sistemas privados fornecem essa informação em tempo praticamente real. Incorporar o alerta de densidade de raios (não apenas o volume de chuva previsto) à comunicação de risco — recomendando suspensão de atividades ao ar livre, aulas de educação física, eventos públicos — é uma camada de proteção de baixo custo que a maioria dos sistemas municipais ainda não usa.

“O Brasil é o país que mais leva raios do mundo. E a maioria das cidades ainda mede a tempestade só pela chuva que ela derruba — não pela eletricidade que ela carrega.”

Fontes

  • Correio do Estado — “Junho de 2026 já é o mais chuvoso da última década em Campo Grande” — 15/06/2026 — https://correiodoestado.com.br/cidades/campo-grande-ja-acumula-118-mm-de-chuva-o-triplo-esperado-para-o-mes/468152/
  • Fátima News (Agência de Notícias do Governo de MS) — “Chuvas superam média histórica em Campo Grande e Três Lagoas” — 17/06/2026 — https://www.fatimanews.com.br/tecnologia/chuvas-superam-media-historica-em-campo-grande-e-tres-lagoas-mas/236481/