2,2 milhões sem luz, 340 voos cancelados: o mesmo ciclone que matou em Santa Catarina provocou o maior apagão do ano em São Paulo
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil — da matéria da InfoMoney O mesmo sistema de ciclone extratropical que matou uma família em Palhoça, Santa Catarina, avançou sobre o Sudeste e provocou, em 10 de dezembro de 2025, rajadas de vento de até 96,3 km/h na cidade de São Paulo, derrubando mais de 1.300 árvores sobre a rede […]
10 DEZ 2025

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil — da matéria da InfoMoney
O mesmo sistema de ciclone extratropical que matou uma família em Palhoça, Santa Catarina, avançou sobre o Sudeste e provocou, em 10 de dezembro de 2025, rajadas de vento de até 96,3 km/h na cidade de São Paulo, derrubando mais de 1.300 árvores sobre a rede elétrica. O resultado foi um dos maiores apagões do ano no estado: pico de 2.052.401 clientes sem energia, segundo dado oficial da concessionária Enel divulgado pela Agência Brasil. Dois dias depois, em 12 de dezembro, ainda havia 802.474 clientes sem luz na região metropolitana — 585 mil só na capital, cerca de 10% da população da cidade —, segundo nova matéria da Agência Brasil. A Enel mobilizou 1.300 equipes de manutenção emergencial, e o Corpo de Bombeiros registrou 514 chamados por quedas de árvores só na manhã seguinte ao temporal. O caos se estendeu à aviação: mais de 340 voos foram cancelados entre os aeroportos de Congonhas e Guarulhos — 227 e 117, respectivamente —, segundo a InfoMoney, com as companhias aéreas GOL e LATAM emitindo notas permitindo remarcação sem custo. A repercussão ultrapassou fronteiras: a Associated Press e a Euronews noticiaram o apagão internacionalmente, com a Euronews citando 1,3 milhão de pessoas sem energia.
O que essa sequência evidencia, além da escala do apagão em si, é como um único sistema climático pode produzir dois desfechos completamente distintos em regiões diferentes do país em questão de horas: em Santa Catarina, o mesmo ciclone extratropical causou mortes diretas por travessia de via alagada; em São Paulo, o desfecho foi o colapso simultâneo de duas infraestruturas críticas — a rede elétrica urbana e a malha aérea doméstica —, sem mortes diretas relacionadas, mas com impacto logístico e econômico que se estendeu por dias. A vulnerabilidade da rede elétrica a queda de árvores em massa — mais de 1.300 em um único evento — expõe um ponto de fragilidade que só se torna visível quando um evento meteorológico extremo testa a infraestrutura simultaneamente em múltiplos pontos da cidade.
Para municípios brasileiros com arborização urbana densa e rede elétrica aérea, a lição de governança deste caso é que a poda preventiva e o manejo de árvores próximas à fiação — uma atividade rotineira e pouco visível em tempos normais — se torna decisiva justamente nos eventos de vento extremo mais raros; e que planos de contingência para aeroportos e concessionárias de energia precisam considerar cenários de colapso simultâneo, em vez de dimensionar a resposta para falhas pontuais e isoladas.
“Mais de 1.300 árvores caíram sobre a rede elétrica de São Paulo em um único evento — derrubando ao mesmo tempo o fornecimento de energia para 2,2 milhões de clientes e a operação normal dos dois principais aeroportos da cidade. O mesmo ciclone que matou em Santa Catarina revelou, no Sudeste, o quanto duas infraestruturas críticas podem falhar juntas.”
Fontes
- Agência Brasil — “Ciclone deixa 2 milhões clientes sem energia em São Paulo” — 10/12/2025 — https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-12/ciclone-deixa-12-milhao-clientes-sem-energia-em-sao-paulo
- Agência Brasil — “Dois dias após ciclone, SP ainda tem 800 mil moradores sem energia” — 12/12/2025 — https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-12/dois-dias-apos-ciclone-sp-ainda-tem-800-mil-moradores-sem-energia
- InfoMoney — “Caos aéreo: SP amanhece com mais de 340 voos cancelados após rajadas de vento” — 10/12/2025 — https://www.infomoney.com.br/consumo/caos-aereo-sp-amanhece-com-mais-de-340-voos-cancelados-apos-rajadas-de-vento/